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Bloco defende proibição da utilização de animais selvagens em circos

Na próxima quinta-feira, o parlamento irá discutir projetos de lei sobre a utilização de animais selvagens em circos. A iniciativa do Bloco propõe ainda medidas de apoio às artes circenses.
O Bloco justifica a proibição da utilização de animais selvagens em circos com "a preocupação crescente com o bem-estar animal".
O Bloco justifica a proibição da utilização de animais selvagens em circos com "a preocupação crescente com o bem-estar animal".

O projecto de lei do Bloco de Esquerda será discutido na Assembleia da República, na próxima quinta-feira, a par das iniciativas do PAN, que propõe “a proibição de animais selvagens em espetáculos circenses ou similares”, e do PCP, que propõe “o reforço da proteção dos animais utilizados em circo”.

Na sua iniciativa, o Bloco refere que o circo é “uma arte que sempre ocupou um lugar no imaginário das pessoas, em particular junto dos mais novos" e também que a existência de uma “maior sensibilidade da sociedade, nomeadamente dos mais jovens e crianças, perante as condições de manutenção dos animais no circo e a sua presença em atuações que os forçam a adotar comportamentos contrários à sua natureza, especialmente os selvagens, tem levado ao declínio do circo com animais”.

“Preconizando uma reação contra o declínio do circo tradicional, os precursores das novas formas estéticas e da renovação das artes do circo recusam, por razões ecológicas e económicas, a utilização de animais exóticos”, lembra também o projecto de lei bloquista.



O Bloco justifica a proibição da utilização de animais selvagens em circos com "a preocupação crescente com o bem-estar animal", com as "condições de acondicionamento e transporte destes animais amplamente precárias, em virtude das características itinerantes" dos circos, com o "perigo à saúde e segurança pública" e com os "sinais contrários em termos de educação ambiental e conservação da natureza".

"O espetáculo do circo com animais selvagens é profundamente antipedagógico, principalmente numa época em que as preocupações ambientais e com o bem-estar animal são cada vez mais presentes", lê-se ainda no diploma bloquista.

Uma nova política cultural em torno do circo

O Bloco alerta, contudo, para a crise que atinge os circos, com efeitos sociais e culturais profundos, pedindo que o Estado intervenha, por exemplo, ao nível da formação e da educação dos jovens que integram a família do circo, observando que é preciso "reformular o sistema de ensino para as populações itinerantes, que hoje se revela completamente desajustado".

Dado o contexto atual, “é necessária uma nova política cultural em torno do circo", com a implementação de políticas públicas “que defendam a integração social, a viabilidade económica e a qualidade artística desta actividade”, propõe o Bloco.

A valorização do circo deve também passar pelo apoio público “à formação de profissionais capazes de uma abordagem pluridisciplinar, que permita o surgimento e a afirmação de novas estéticas, a renovação dos profissionais do circo em disciplinas específicas e a reavaliação do sistema de ensino destinado às populações itinerantes, de forma a reduzir o abandono e insucesso escolar”.

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