Bloco de Esquerda em defesa do interior

09 de agosto 2017 - 11:14

As candidaturas do Bloco às autarquias das cidades da Guarda, Castelo Branco, Fundão e Covilhã foram apresentadas no passado domingo, com a presença da coordenadora Catarina Martins.

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Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda na apresentação das candidaturas de Guarda, Castelo Branco, Guarda e Fundão. Foto Esquerda.net.
Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda na apresentação das candidaturas de Guarda, Castelo Branco, Guarda e Fundão. Foto Esquerda.net.

Guarda: mudar é preciso

No parque de merendas da praia fluvial de Valhelhas, no distrito da Guarda, Jorge Mendes, começou por apresentar as razões pelas quais aceitou ser candidato independente pelo Bloco de Esquerda. A lista à Câmara Municipal da Guarda, constituída na sua larga maioria por independentes, "está fortemente comprometida com as pessoas e com os seus problemas concretos".

Tendo como lema “Guarda: mudar é preciso”, Jorge Mendes fez notar que os últimos quatro anos de governação PSD+CDS foram "um autêntico desperdício de dinheiros públicos em eventos, festas, ornamentações, construção de rotundas, desprezando-se parte do que é realmente importante na vida das pessoas".

Elencou, depois, várias das medidas que o Bloco de Esquerda irá defender, sendo de salientar as questões da transparência municipal e" dos direitos das pessoas em melhorar as suas vidas" (transportes, saúde, educação, habitação, cultura e ambiente).


Jorge Mendes, candidato independente do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal da Guarda.

Jorge Mendes terminou a sua intervenção apelando para que "haja uma mudança de políticas e de protagonistas, sendo que tal só será possível dando força ao Bloco de Esquerda", pois “a força do Bloco faz a diferença”. Citando ainda José Manuel Pureza, Jorge Mendes afirmou que “A Esquerda deve fazer perguntas e ensaiar respostas, tudo e sempre para mudar vidas”.


Luis Barroso atual deputado municipal do Bloco de Esquerda e candidato à Câmara Municipal de Castelo Branco.

Bloco de Castelo Branco: “Políticas sustentáveis, que não comprometam as próximas gerações”

Luís Barroso, atual deputado municipal e cabeça da lista do Bloco à Câmara de Castelo Branco, referiu que a candidatura da concelhia do partido quer pautar-se “por uma prática de políticas sustentáveis, que não comprometam as próximas gerações, que não estimulem a migração das populações das freguesias para a cidade, situação que tem levado à desertificação das mesmas”.

Luís Barroso referiu que continua “a existir um grande défice na transparência autárquica, pelo que iremos defender diretivas que assegurem o livre acesso dos cidadãos à informação pública produzida nas autarquias, apresentando um conjunto de boas práticas e a defesa efetiva das competência de funcionamento dos órgãos deliberativos”.

Das propostas para valorizar Castelo Branco, o candidato evidenciou que "há que cumprir o que vem na Lei e nos regimentos da Assembleia de Freguesia e da Assembleia Municipal, que têm sido ignorados e manobrados por uma maioria acéfala”.

Para o candidato, há que fazer do orçamento participativo “um bom exercício de cidadania, com maior e melhor divulgação das suas regras, para que seja devidamente implementado e consequente, quer na Junta de Freguesia quer na Câmara Municipal”.

Sobre as questões ambientais, o Bloco de Castelo Branco não vai “esquecer a agenda local para o século XXI, de forma a promover políticas essenciais para um desenvolvimento sustentável do concelho”, referiu Luís Barroso.

O candidato afrimou ainda que o acesso a água de qualidade está em risco no futuro de Castelo Branco. Denunciou que “têm acontecido vários atentados ambientais nas zonas de proteção das albufeiras, que afetarão a qualidade da água captada, com total impunidade para quem comete tais atentados, por falta de fiscalização da APA (Associação Portuguesa do Ambiente) e do próprio Ministério do Ambiente”. Referiu também que o Bloco de Castelo Branco continua sem resposta às perguntas enviadas ao Ministério do Ambiente sobre aqueles atentados ambientais e à água e que colocam em risco as populações.
 


Cristina Guedes, candidata à Assembleia Municipal do Fundão.

Fundão: Bloco quer “criar condições de confiança e responsabilidade”

Cristina Guedes é a candidata à Assembleia Municipal do Fundão. Esta candidatura estreante do Bloco a este órgão da cidade pretende ser um “incentivo à participação dos eleitores e não se pode resumir exclusivamente ao ato eleitoral, o poder político local tem de criar outras condições de confiança e de responsabilidade entre os dois grupos de intervenientes, eleitores e eleitos”, disse.

A candidata elencou algumas das prioridades do Bloco de Esquerda para um futuro mandato na Assembleia Municipal, como a “transparência da gestão democrática, o serviços públicos o ambiente, o planeamento e acessibilidades, direitos dos animais, a cultura e juventude".

Em segundo lugar, na lista do Bloco para a Assembleia Municipal do Fundão, está João Manuel dos Santos Amoreira, com 49 anos, desempregado e, em terceiro, António Luís Pereira Fiúza, que tem 30 anos e é técnico artes gráficas.


João Corono, candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal da Covilhã.

Covilhã: Combater os interesses económicos que controlam a água

João Corono, candidato à Câmara Municipal da Covilhã pretende que a candidatura do Bloco acabe com a hegemonia da maioria do Partido Socialista na cidade e, na sua intervenção, elogiou a presença de Catarina Martins por quebrar a “lógica da realização de comícios de verão no litoral, promovendo o interior e as suas gentes".

Para o candidato à Câmara da Covilhã, o compromisso do Bloco de Esquerda é “trabalhar com seriedade, verdade e acima de tudo transparência”. Referiu a luta do Bloco no concelho, onde a fatura da água é das mais altas do país. “É inconcebível que na Covilhã com tanta disponibilidade de água se pratiquem os preços mais elevados do país. E porquê? A exploração da água está ligada a cinco empresas!”, disse.

o candidato denunciou os interesses de alguns grupos económicos instalados no concelho para o controlo da água e resíduos como é o caso da ICOVI, empresa municipal, que “ pratica preços altos”, com faturas caras para os consumidores. A ADC (Águas da Covilhã) é também uma empresa municipal de distribuição de água, saneamento, limpeza urbana, parques e jardins, detida em 49% pela construtora Somague, “que através de um acordo para-social se coloca em igualdade de decisão com a Câmara Municipal da Covilhã”. A Resiestrela, “a quem os consumidores pagam pela recolha e tratamento dos resíduos sólidos” e, por fim, a empresa Águas da Serra, “que trata das águas residuais e com quem a Câmara fez um contrato danoso, pois obriga ao pagamento de cerca de 95 milhões de euros, entre o ano de 2016 até 2034”.

João Corono afirmou, ainda, que o Bloco de Esquerda da Covilhã está “contra as portagens da A23 e da A25”, referindo que "foi apresentada, na Asembleia Municipal, uma moção para a abolição das referidas portagens”. O candidato lamentou que a moçao do Bloco tenha sido rejeitada, no passado, pelos 28 presidentes de junta do concelho e que, agora, a comissão de utentes da A23 e A25 tenha aprovado a abolição de portagens na Assembleia Municipal da Covilhã. Para o candidato a razão desta inflexão é “a aproximação de novo período eleitoral”.

Veja aqui o video do convívio de verão do Bloco de Esquerda, na praia fluvial de Valhelhas.