"É já pública a intenção do Governo de rever em baixa a meta do défice em 2018, ou seja, é pública a intenção do Governo de alterar a meta que foi votada com o Orçamento do Estado e, para o Bloco, esse seria um sinal preocupante, uma vez que o compromisso político do Orçamento do Estado apontava para a necessidade de se aproveitar o crescimento económico para recuperar os serviços públicos", afirmou Catarina Martins aos jornalistas, após uma reunião com economistas para discutir escolhas sobre a economia, Programa de Estabilidade e opções para o investimento público.
A coordenadora bloquista reagia assim às notícias de que o Governo prepara-se para apresentar um Programa de Estabilidade com a promessa de défice de 0,7% em 2018, ao invés dos 1,1% que estavam inscritos no Orçamento do Estado para 2018.
"O Bloco cumpriu sempre os compromissos políticos que negociou com o Governo, foi claro sobre a necessidade da recuperação económica ser também recuperação dos serviços públicos. Achamos, por isso, preocupantes os sinais de que o Governo quer alterar as metas que negociou connosco e as metas que basearam o nosso voto no Orçamento do Estado para 2018", reforçou Catarina Martins.
A dirigente do Bloco deixou um apelo ao Governo: "que se mantenha o espírito de negociação, de convergência e de cumprir os compromissos que tivemos até agora na maioria parlamentar".
"O Bloco mantém essa vontade e essa determinação", garantiu.
Catarina Martins salientou ainda ser "muito importante que o Governo apresente um Programa de Estabilidade que seja consequente com as metas e o quadro macroeconómico" aprovados no Orçamento do Estado para 2018.
"Tudo o que nós queremos é que os compromissos se mantenham", avançou a coordenadora , assinalando que são "preocupantes os sinais de que o Governo quer alterar as metas" orçamentais.
Para os bloquistas, é também preocupante que o ministro das Finanças, Mário Centeno, "anuncie já limitações ao que será o Orçamento do Estado para 2019”, antes sequer de “iniciar as negociações com a maioria parlamentar".
Bloco propõe que país debata como responder às alterações climáticas e às desigualdades
No final do encontro para discutir escolhas sobre a economia, Programa de Estabilidade e opções para o investimento público, que contou com a participação de Fernando Oliveira Baptista, Ricardo Paes Mamede, Ana Costa, José Castro Caldas, Francisco Louçã, Ricardo Cabral, Marisa Matias e Pedro Filipe Soares, entre outros, Catarina Martins frisou que o que o Bloco propõe é “que o país debata como responder às alterações climáticas, como responder às desigualdades que tem e, aí, investir nestes eixos: transportes e energia; floresta e núcleos rurais; indústria e emprego; reabilitação urbana e acesso à habitação; educação e igualdade”.
A coordenadora bloquista assinalou ainda a preocupação do partido “com a capacidade que o país tem de investimento nos serviços públicos, que são a garantia da democracia real, do acesso ao ensino e à saúde”.