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Biocombustíveis da aviação ameaçam floresta tropical

Destino: desflorestação. Um estudo da Rainforest Foundation da Noruega revela que a utilização de biocombustíveis de óleo de palma por parte da aviação, com objetivo de redução do CO2, ameaça três milhões de hectares de florestas tropicais.
Destruição de floresta causada pela Duta Palma. Bornéu, 2011.
Destruição de floresta causada pela Duta Palma. Bornéu, 2011. Foto de Rainforest Action Network. Flickr.

O setor da aviação civil fixou-se o objetivo de reduzir as emissões de CO2 em 50% até 2050, tendo como ano de referência 2005. Um objetivo apresentado como ambicioso, na medida em que a frota de aviação duplicará até 2038.

O problema é que, para atingir esse objetivo, a solução que está em cima da mesa é a de apostar em agro-carburantes à base de óleo de palma. O efeito seria catastrófico para as florestas tropicais, segundo um estudo feito pela Rainforest Foundation de Noruega, denominado “Destino: desflorestação”. 3,2 milhões de hectares de florestas tropicais seriam eliminados para produzir a quantidade necessária de combustíveis. Os cálculos da ONG são de que seria preciso, até 2030, aumentar a produção de óleo de palma em 35 milhões de toneladas, a de sub-produtos deste em 3,5 milhões de toneladas e também em 35 milhões a de óleo de soja. A produção anual ronda, agora, os 70 milhões de toneladas.

O alerta chega no momento em que a Organização da Aviação Civil Internacional reúne em Montreal. E não se poupa nas palavras: “a indústria aeronáutica arrisca tornar-se uma ameaça maior para as florestas tropicais húmidas do mundo”.

A Rainforest Foundation acusa também a OACI de não tomar em linha de conta as “emissões massivas que resultam da destruição das florestas tropicais e das turfeiras, tal como a perda da biodiversidade e as violações dos direitos dos povos tributários da florestas”, segundo Nils Hermann Ranum, porta-voz desta organização, explicou ao jornal Le Parisien.

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