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“Berlim não paga a traidores mas não se olha ao espelho”

Para o Bloco de Esquerda, depois de exibir o governo português como um troféu contra a Grécia, a UE dá-lhe um puxão de orelhas, como se a política de austeridade que impôs não fosse a responsável pelo aumento da dívida e do desemprego.
Ainda há uma semana Maria Luis Albuquerque foi exibida em Berlim como troféu do ministro das Finanças alemão". Foto de Stephanie Pilick/Epa/Lusa
Ainda há uma semana Maria Luis Albuquerque foi exibida em Berlim como troféu do ministro das Finanças alemão". Foto de Stephanie Pilick/Epa/Lusa

Comentando a decisão da Comissão Europeia de pôr Portugal em “vigilância apertada” por apresentar desequilíbrios excessivos, o líder Parlamentar do Bloco de Esquerda afirmou que é inaceitável que Portugal, como bom aluno, vá aplicar mais medidas de austeridade. “Estivemos debaixo de programas brutais. Cortaram-se direitos, degradaram-se serviços públicos e sempre dizendo que o objetivo era cortar a dívida. Ora aconteceu exatamente o contrário, a austeridade trouxe mais dívida, e o que nos dizem agora é que não satisfeitos com toda a subserviência que o governo português apresentou ao longo destes anos ainda temos direito a um puxão de orelhas.”

Maria Luis Albuquerque “foi exibida em Berlim como troféu”

Pedro Filipe Soares recordou que ainda há uma semana Maria Luis Albuquerque “foi exibida em Berlim como troféu do ministro das Finanças alemão, apontando o país que representava, contra a Grécia, o exemplo que a Alemanha gostava de dar ao mundo. Uma semana depois percebemos que esse troféu alemão foi sol de pouca dura”. Recordando o velho lema “Roma não paga a traidores”, o deputado bloquista usou a versão moderna “Berlim não paga a traidores” para definir o puxão de orelhas, mas completou: “Mas Berlim também não se olha ao espelho”, sublinhando que “não aceitamos que novas medidas sejam apresentadas a Portugal como inevitáveis. O que seria de esperar era que fosse também reconhecido que a austeridade dá mais desemprego e mais dívida”.

Não aceitamos que novas medidas sejam apresentadas a Portugal como inevitáveis

O líder parlamentar do Bloco defendeu que “só acabando com a austeridade é que resolvemos o problema da dívida e o problema do desemprego, só tendo uma renegociação da dívida é que cortamos o peso que a austeridade nos deixa para o futuro”.

Todo o processo grego, diz o deputado, mostra que “há alternativa, que é possível levantar-se uma voz na Europa que peça outra política. O que falta é mais vozes como esta a defender as pessoas contra a austeridade”.

França falha metas mas não é multada

A mesma Comissão que aperta a vigilância sobre Portugal decidiu dar à França até 2017 para atingir a meta do défice imposta pela UE, depois de pela segunda vez o governo de Paris ter falhado o objetivo. A extensão de dois anos de prazo evitando também a multa que poderia ser cobrada.

A Comissão também decidiu não abrir procedimentos por défice excessivo à Itália e à Bélgica, que também em teoria corriam o risco de serem multadas.

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