De acordo com a FGTB, mais de 120 mil manifestantes participaram num dos maiores protestos de sempre na capital belga para dizer “não a um plano de governo antissocial, desequilibrado e injusto".
Mal tomou posse, o governo de Bruxelas anunciou medidas de austeridade que incluem o aumento da idade da reforma, cortes em áreas como a Saúde e a Segurança Social e o congelamento salarial no país, no qual vigora o sistema de indexação dos salários ao custo de vida.
"Os empregadores receberam um cheque em branco do governo, sem garantia de criação de empregos", afirmou a FGTB num comunicado publicado no seu site.
Alegando responder a provocações e desacatos provocados por um grupo de manifestantes, a polícia tentou desmobilizar o protesto, usando, de forma indiscriminada, canhões de água e gás lacrimogéneo. Durante os confrontos, foram incendiados diversos veículos e arremessadas pedras e cocktails molotov contra as forças policiais. A comunicação social dá conta de, pelo menos, 14 feridos e de várias detenções.O jornal on line RésistanceS.be dá conta da presença de alguns membros da extrema direita infiltrados no protesto.
Esta manifestação marcou o início de uma série de protestos no país, que culminam numa greve geral a 15 de dezembro.
Nacionalistas flamengos dominam o executivo
A coligação governamental, que assumiu o poder em meados de outubro, é composta pelo partido liberal francófono (M.R.) e pelas formações flamengas dos nacionalistas do N-VA, dos democratas-cristãos do CD&V e dos liberais Open VLD.
Ainda que o primeiro-ministro belga Charles Michel pertença ao M.R., o verdadeiro peso pesado do governo é Bart De Wever, líder do N-VA, partido que ocupa todos os lugares chave no executivo, controlando, inclusive, a pasta das Finanças.
Dois membros proeminentes dos nacionalistas flamengos, que defendem a existência de uma Flandres independente, estão já envolvidos numa acesa polémica.
Logo após a tomada de posse do novo governo, foi tornada pública a participação do ministro da Administração Interna, Jan Jambon, numa conferência de uma organização ligada a antigos membros das SS, em 2001. Jambon veio entretanto afirmar que “as pessoas tinham as suas razões” para colaborar com o regime nazi.
Já Theo Francken, secretário de Estado da Imigração, participou na festa do 90º aniversário do fundador de uma milícia de extrema-direita, conforme avança o Le Monde.