Bélgica: Mais de 120 mil pessoas manifestaram-se contra a austeridade

07 de novembro 2014 - 1:12

Esta quinta-feira, Bruxelas foi palco de uma manifestação nacional, convocada pela central sindical FGTB, contra as medidas que compõem o pacto do novo governo de ultradireita.

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Foto retirada do facebook da eurodeputada Marisa Matias.

De acordo com a FGTB, mais de 120 mil manifestantes participaram num dos maiores protestos de sempre na capital belga para dizer “não a um plano de governo antissocial, desequilibrado e injusto".

 Mal tomou posse, o governo de Bruxelas anunciou medidas de austeridade que incluem o aumento da idade da reforma, cortes em áreas como a Saúde e a Segurança Social e o congelamento salarial no país, no qual vigora o sistema de indexação dos salários ao custo de vida.

 "Os empregadores receberam um cheque em branco do governo, sem garantia de criação de empregos", afirmou a FGTB num comunicado publicado no seu site.

 Alegando responder a provocações e desacatos provocados por um grupo de manifestantes, a polícia tentou desmobilizar o protesto, usando, de forma indiscriminada, canhões de água e gás lacrimogéneo. Durante os confrontos, foram incendiados diversos veículos e arremessadas pedras e cocktails molotov contra as forças policiais. A comunicação social dá conta de, pelo menos, 14 feridos e de várias detenções.O jornal on line RésistanceS.be dá conta da presença de alguns membros da extrema direita infiltrados no protesto.

 Esta manifestação marcou o início de uma série de protestos no país, que culminam numa greve geral a 15 de dezembro.

 Nacionalistas flamengos dominam o executivo

 A coligação governamental, que assumiu o poder em meados de outubro, é composta pelo partido liberal francófono (M.R.) e pelas formações flamengas dos nacionalistas do N-VA, dos democratas-cristãos do CD&V e dos liberais Open VLD.

 Ainda que o primeiro-ministro belga Charles Michel pertença ao M.R., o verdadeiro peso pesado do governo é Bart De Wever, líder do N-VA, partido que ocupa todos os lugares chave no executivo, controlando, inclusive, a pasta das Finanças.

 Dois membros proeminentes dos nacionalistas flamengos, que defendem a existência de uma Flandres independente, estão já envolvidos numa acesa polémica.

 Logo após a tomada de posse do novo governo, foi tornada pública a participação do ministro da Administração Interna, Jan Jambon, numa conferência de uma organização ligada a antigos membros das SS, em 2001. Jambon veio entretanto afirmar que “as pessoas tinham as suas razões” para colaborar com o regime nazi.

 Já Theo Francken, secretário de Estado da Imigração, participou na festa do 90º aniversário do fundador de uma milícia de extrema-direita, conforme avança o Le Monde.