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Belgas boicotam bares e discotecas para pressionar medidas contra droga da violação

As notícias de agressões sexuais usando GHB estão a aumentar. Em Bruxelas, já houve duas manifestações feministas para denunciar a situação. Esta sexta-feira, vários grupos de mulheres de Bruxelas decidiram fazer um boicote para tentar obrigar os donos dos espaços noturnos a tomar medidas eficazes.
Mulheres belgas em manifestação contra a cultura da violação esta sexta-feira. Foto de @job_dignity/Twitter.
Mulheres belgas em manifestação contra a cultura da violação esta sexta-feira. Foto de @job_dignity/Twitter.

Começou no início do mês de outubro com uma denúncia nas redes sociais: duas jovens tinham sido drogadas e violadas por um empregado do bar El Café, em Bruxelas. Depois disso, vários outros casos sobre o mesmo homem foram tornados conhecidos. Em seguida, testemunhos sobre outros violadores foram sendo partilhados na conta de Instagram chamada Balance ton bar.

O método de todos estes casos é comum: o recurso ao GHB, ou ao GBL, conhecidas como “drogas da violação”.

A mobilização feminista respondeu com duas manifestações em Bruxelas, a 14 e a 21 de outubro. Considerando que entretanto nada mudou na noite da capital belga, um conjunto de coletivos que se juntaram sob a designação União Feminista Inclusiva e Autogerida voltou esta sexta-feira a juntar cerca de mil pessoas numa manifestação. Numa Place de l'Albertine totalmente cheia, várias sobreviventes de ataques sexuais falaram. Para além disto, lançou-se um apelo ao boicote aos bares e discotecas da cidade sob o lema #NightlifeBlackout com objetivo de os “atingir na carteira”, levando-os a tomar medidas contra os violadores.

Laura, do grupo Les sous-entendu.e.s, explica, ao jornal belga La Libre: quisemos bater-lhes forte dizendo: se as mulheres não forem aos vossos sítios, não terão ninguém lá. E se não tiverem ninguém, não têm outra escolha senão torná-los seguros.” A ativista promete que os protestos voltarão “tantas vezes quantas forem precisas”. “Não esperamos parar por aqui porque as violências sexuais são um problema sistémico”.

Os donos e responsáveis de espaços noturnos garantem que estão a tomar medidas como a implementação de equipas especializadas em detetar situações de perigo, mais policiamento nos locais, ações de sensibilização, designação de espaços seguros, entrega de tapadores de copos e montagem de câmaras que vigiam quem prepara e serve bebidas.

A UFIA exige mais. Em carta enviadas aos autarcas de região de Bruxelas, denunciou “uma cultura da violação omnipresente e um sistema pós-colonial patriarcal tóxico”, exigindo “medidas inclusivas”. Laura diz que o que está a ser feito pelos bares são “dispositivos absurdos” e “medidinhas” que não respondem à dimensão do problema. Para ela, “enquanto não sentarem pessoas do terreno à mesa com eles, não compreenderão o problema porque meter tampas nos copos não é uma solução. É mais uma vez passar para as mulheres a responsabilidade pela sua segurança”.

E o aumento de queixas deste tipo de violações e este tipo de formas de luta não acontecem só na Bélgica. No Reino Unido, o Conselho Nacional de Chefes de Polícia registou 198 casos de intoxicação com este tipo de substâncias em setembro e outubro. Aqui foi o caso de Sarah Buckle a desencadear a onda de indignação inicial. A estudante da Universidade de Nottingham queixou-se que acordou sem memória do que se tinha passado na noite anterior e com uma picadela na mão. A seguir também aconteceu uma noite de boicote aos espaços de diversão noturna no passado dia 27 de outubro. O movimento, denominado Girls Night In, foi-se repetindo em várias cidades diferentes.

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