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BBC despede 450 trabalhadores da sua redação

A BBC News vai ser reestruturada e a produção de programas centralizada. O plano implica o corte de 450 postos de trabalho com a justificação de poupar cerca de 95 milhões de euros. O canal vai passar também a cobrir menos histórias.
Edifício da BBC em Londres.
Edifício da BBC em Londres. Fonte: Wikimedia Commons/Another_Believer

Será uma notícia que os que os jornalistas da BBC prefeririam não lhes ter chegado à redação. Na quarta-feira, a chefe da divisão de notícias da BBC, Fran Unsworth, anunciou o plano da empresa de acabar com 450 postos de trabalho no setor noticioso do canal.

O objetivo anunciado será poupar cerca de 95 milhões de euros, mas a diminuição do caudal informativo é outra das justificações apresentadas: o canal britânico, que se assume como sendo de referência, pretende passar a cobrir menos histórias. Atualmente, a BBC cobre cerca de cem diferentes notícias por dia. Unsworth alega que isto tem um efeito “esmagador” no público e que faz com que as histórias acabem por não chegar ao público-alvo. Segundo o jornal Guardian, ela terá dito aos trabalhadores que “para produzir menos histórias teremos de ser uma organização mais pequena”.

Outro efeito da reestruturação é a centralização das equipas que até agora trabalhavam em programas específicos criando conteúdo diferenciado. Passarão a cobrir a mesma história para todos os programas. A empresa torna ainda a sua produção online a prioridade menorizando a produção emitida nas televisões e rádios.

Para além dos problemas que atingem outros meios de comunicação atualmente, com o crescimento do consumo de informação através das redes sociais e em sites não noticiosos, a empresa pública de comunicação social britânica enfrenta uma crise de credibilidade devido às críticas sobre a falta de idoneidade na cobertura das passadas eleições legislativas no país. No horizonte próximo, paira também a promessa eleitoral de Boris Johnson de descriminalizar o não pagamento da taxa de televisão no país, o que poderia implicar menos rendimentos para a estação. Tudo isto leva a sua diretora de informação a dizer: nunca na minha carreira senti que esta organização estivesse mais ameaçada do que está presentemente”.

Os cortes não atingem da mesma forma toda a redação. Há programas que desaparecem de todo, como o galardoado programa de entrevistas de Victoria Derbyshire, outros que sofrem cortes profundos como o Newsnigh que perde dezenas de lugares, sendo cortado para metade o seu orçamento para jornalismo de investigação. O World Service da estação e o canal de rádio 5Live fazem parte igualmente dos maiores perdedores.

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