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Bancos norte-americanos querem manter dividendos durante a crise

Ao contrário dos EUA, na Europa o Parlamento Europeu manifestou-se contra esta prática e o BCE recomendou a suspensão. O Bloco vai levar ao parlamento português a proposta de proibir a distribuição de dividendos em 2020.
Bolsa de Nova Iorque. Foto: Alan Kotok/Flickr
Bolsa de Nova Iorque. Foto: Alan Kotok/Flickr

Os bancos norte-americanos pretendem manter a distribuição de dividendos aos acionistas apesar da crise do covid-19. A notícia é avançada pelo Financial Times, que dá conta que os maiores bancos dos EUA não planeiam alterar estas operações e vão anunciá-lo à Reserva Federal esta segunda-feira.

O argumento defendido pela Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citigroup é o de que a distribuição de dividendos é necessária para “não desestabilizar os investidores”. Os banqueiros garantem ter meios para o fazer, já que os maiores 20 bancos norte-americanos registam 50 mil milhões de dólares de lucros anuais (antes das perdas por incumprimento de empréstimos) e possuem 200 mil milhões de dólares de excesso de capital. É por isso que os analistas da Barclays defendem que os bancos podem manter a distribuição de dividendos mesmo se enfrentarem perdas por incumprimento significativas. De resto, os 6 maiores bancos do país já haviam garantido aprovação para distribuir 35 mil milhões de dólares em dividendos e gastar 110 mil milhões na recompra das próprias ações entre Julho de 2019 e o mesmo mês deste ano.

Esta posição contrasta com a atitude face ao sistema financeiro na Europa, na qual os reguladores pediram aos bancos para congelarem os pagamentos de dividendos e as operações de recompra das ações durante o período da crise. Esta é também a posição do Parlamento Europeu, de acordo com o comunicado divulgado pelos coordenadores da Comissão de Assuntos Económicos e Monetários (ECON), entre os quais o eurodeputado bloquista, José Gusmão.

A ideia é garantir que, numa altura em que a UE enfrenta dificuldades e a recessão se começa a aproximar, o foco da banca seja garantir a concessão de liquidez às empresas e famílias afetadas e não manter as práticas de aumento da remuneração dos acionistas e gestores de topo. Os eurodeputados querem que a folga dada aos bancos pela política monetária expansionista do BCE esteja “totalmente disponível para apoiar os clientes, isto é, as famílias e as empresas”.

Também em Portugal, o tema da distribuição dos dividendos da banca tem sido assunto. Embora a generalidade dos bancos tenha optado por seguir as recomendações do BCE, que apelou à não distribuição de dividendos pelo menos até outubro de 2020, também há exceções, como a do BPI, que pretende remunerar o seu acionista principal, o Caixabank. No pacote de medidas destinado ao setor bancário, o Bloco de Esquerda propôs na semana passada que o parlamento aprove a proibição da distribuição de dividendos em 2020 na banca e o pagamento dos bónus aos banqueiros.

Mariana Mortágua propôs que a medida se estenda a todas as empresas. “Suspender a distribuição de lucros e de outras formas de remuneração acionista, durante o ano de 2020, para todas as empresas é uma medida que vai proteger a solvabilidade e a capitalização do setor empresarial português, permitindo que ele mantenha a sua atividade no futuro e fazendo com que a recuperação económica seja mais rápida no momento em que precisarmos que ela ocorra”, afirmou a deputada do Bloco. 

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