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Banco Mundial ajudou a manipular ranking mundial do “ambiente de negócios”

O favorecimento da China no ranking do relatório “Doing Business” não foi caso único. Juntam-se agora as conclusões de que o mesmo aconteceu em relação à Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Ao mesmo tempo que fazia o ranking, a instituição vendia serviços de consultoria para os países melhorarem a sua pontuação.
A ex-presidente do Banco Mundial, Kristalina Georgieva
A ex-presidente do Banco Mundial, Kristalina Georgieva, numa conferência sobre corrupção em 2018. Foto Simone D. McCourtie/Banco Mundial

Segundo a agência Reuters, semanas antes do anúncio do Banco Mundial sobre o fim da publicação dos relatórios Doing Business - que avaliam os países num ranking de “ambiente de negócios” que pretende medir “como as leis e regulamentações promovem ou restringem as atividades empresariais” - a instituição já tinha recebido recomendações de um grupo de economistas e investigadores externos para a revisão dos critérios de forma a impedir a manipulação por parte dos países da sua pontuação.

Na passada quinta-feira, o Banco Mundial anunciou o cancelamento destes relatórios, depois de auditorias internas e externas terem concluído que antigos dirigentes da instituição, incluindo a atual presidente do FMI Kristalina Georgieva, tinham pressionado os autores para que a Chine subisse no ranking em 2017. Os auditores do Banco Mundial já suspeitavam de irregularidades nos dados enviados por Pequim, mas também do Azerbaijão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

“O Banco Mundial precisa de uma introspeção. Tem defendido reformas nos países para melhorar a governança, a transparência e as suas práticas. Agora tem de usar a mesma receita na sua própria reforma”, afirmou o ex-ministro das Finanças colombiano Mauricio Cardenas, que liderou o painel de peritos sobre este escândalo.

Além das pressões dos governos sobre os agentes económicos inquiridos pelos questionários do Banco Mundial e da formação dada a esses inquiridos sobre a forma como responder aos inquéritos que conduzem à classificação final, os autores da investigação referem também que o próprio Banco Mundial vende serviços de consultoria a esses governos com o objetivo de melhorarem a sua posição no ranking. Esses serviços foram vendidos pelo menos à China e à Arábia Saudita.

Ainda segundo a investigação, a administração do Banco Mundial pressionou nove dos quinze funcionários responsáveis pelos rankings de 2018 e 2020 a manipular os dados de forma a apresentarem a Arábia Saudita como a campeã das reformas, bem como a inflacionarem a posição da China e dos Emirados Árabes Unidos e prejudicarem a do Azerbaijão, atirando-o para fora do top-10.

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