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Banco de Portugal prolonga contrato de Sérgio Monteiro por mais três meses

Contrato do ex-secretário de Estado do governo PSD/CDS, responsável pela venda do Novo Banco, foi prolongado até ao final de janeiro. Sérgio Monteiro irá receber mais 76,2 mil euros.
Foto de Estela Silva, Lusa.

O ex-secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, responsável por privatizações ruinosas para o erário público, assinou um contrato com o Fundo de Resolução, com início a 1 de novembro de 2015, com a duração de 12 meses.

Segundo avança o Jornal de Negócios, o Banco de Portugal (BdP) optou por estender o contrato de Sérgio Monteiro até ao fim de janeiro, para que este conclua o processo de venda do Novo Banco. Tendo em conta que o prolongamento do contrato do ex-secretário de Estado do governo PSD/CDS-PP será feito nas mesmas condições financeiras acordadas há um ano, o que implica uma remuneração mensal de 25,4 mil euros, está em causa um encargo adicional de 76,2 mil euros para a entidade liderada por Carlos Costa. Caso se verifique alguma derrapagem no processo, poderão ainda ter lugar três extensões mensais ao contrato, sendo que, no limite, a prestação de serviços de Sérgio Monteiro termina no final de abril, o que representa um custo adicional de 152,4 mil euros.

O jornal de assuntos económicos refere que o ex governante vai ajudar a avaliar as propostas de compra vinculativas que os interessados têm de apresentar até ao final do dia 4 de novembro e que essa análise será decisiva para compreender se o banco será alienado a um investidor estratégico - venda direta - ou mediante uma dispersão por um ou  vários investidores institucionais.

Sérgio Monteiro terá ainda um papel preponderante no que respeita à escolha da proposta que será apresentada ao Governo como a favorita do BdP.

Em dezembro de 2015, o Bloco de Esquerda apresentou um requerimento ao Banco de Portugal para ter acesso ao "contrato formal" assinado com Sérgio Monteiro. A deputada Mariana Mortágua, em declarações à comunicação social, para além de exigir a divulgação do contrato, salientou: "Permanecendo Sérgio Monteiro como administrador do Caixa BI (cargo que justifica a remuneração auferida pelo consultor), e tendo o Grupo Caixa um claro interesse em toda a operação respeitante ao Novo Banco, uma vez que são credores do Fundo de Resolução, cumpre esclarecer se estas funções não representam um potencial conflito de interesses".

Lembremo-nos que, na qualidade de administrador do banco de investimento da CGD - Caixa BI, passaram pelas mãos de Sérgio Monteiro quase todos as parcerias público-privadas ruinosas contratualizadas em Portugal nos últimos anos. Mais tarde, Sérgio Monteiro veio a renegociar para o Estado essas mesmas PPP. Enquanto Secretário de Estado do PSD/CDS-PP, esteve envolvido em várias privatizações promovidas pelo executivo: ANA, CTT, TAP e CP Carga. (ver notícia no esquerda.net: Sérgio Monteiro: O “Senhor Privatizações”)

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