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Banco de Leite Materno do Norte abriu no Porto

Até agora, existia apenas um único banco público de leite materno, na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa. O Hospital de São João passa a disponibilizar este serviço a toda a zona norte do país. Esta é uma iniciativa que permitirá “salvar vidas de bebés” e que viverá da “generosidade” das mães dadoras, referiu a médica Maria João Baptista.
Abre no Porto o Banco de Leite Materno do Norte. Fotografia: Wiki Commons/Jack Newman

Em 2009, a Maternidade Dr. Alfredo da Costa (MAC) em Lisboa, criou o primeiro banco público de leite materno, uma iniciativa precursora que se mantém até hoje, sendo alimentada de doações gratuitas de leite materno. Este é destinado “a bebés prematuros da MAC e de outras Unidades Neonatais da área da Grande Lisboa”, pode ler-se no site desta unidade. 

Treze anos depois, Portugal passa a ter o segundo banco de leite materno, desta feita no Centro Hospitalar e Universitário de São João (CHUSJ), no Porto. No dia 26 de setembro foi inaugurado o Banco de Leite Humano do Norte, que permitirá dar resposta às necessidades alimentares de bebés, em particular de bebés prematuros, de todas as Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais do Norte do país.

“O Banco de Leite Humano do Norte tem a sua sede física aqui [no Hospital de São João] e o investimento foi daqui, mas destina-se a toda a região” afirmou a diretora clínica do CHUSJ Maria João Baptista, em declarações à Lusa, acrescentando que “o objetivo é que todos os hospitais do Norte tenham a possibilidade de recorrer ao banco de leite do HSJ se tiverem um recém-nascido ou um bebé doente que necessite de leite humano”.

“Todos os bebés, em particular os mais frágeis, deveriam ter disponíveis as melhores condições de atendimento para a promoção da sua saúde e sobrevivência” refere o Banco de Leite Humano do Norte na sua página, lembrando ainda que “as vantagens do leite humano são amplamente reconhecidas, com ganhos em saúde universalmente aceites. Quando não se dispõe de leite materno, o leite de dadora é a primeira alternativa.”

Duas em cada três mães de bebés prematuros e grandes prematuros têm dificuldade em manter lactação suficiente para satisfazer as necessidades alimentares do seu bebé. Nestes casos, a disponibilização de leite de dadora é particularmente importante.

Podem ser dadoras de leite todas as mães que estejam a amamentar o seu filho, podendo fazer a doação nos seis primeiros meses após o nascimento do bebé. A dádiva é anónima e altruísta. A recolha do leite é efetuada em casa da dadora, por uma equipa especializada, evitando que esta tenha que se deslocar.

O leite materno

A Organização Mundial da Saúde bem como a UNICEF recomendam que os bebés sejam amamentados na primeira hora após o parto. Aconselham igualmente a amamentação exclusiva até aos seis meses de idade, o que significa que não deve ocorrer a introdução de outros alimentos ou líquidos, incluindo água durante este período. Para tal, os bebés devem ser amamentados em livre demanda, o que significa que devem mamar quando querem, de dia e de noite, sem imposições horárias. Não devem ser introduzidas chupetas, tetinas ou biberons. 

Estas instituições recomendam a introdução alimentar faseada e complementar à amamentação a partir dos seis meses de idade. Consideram também que a criança deve ser amamentada pelo menos até aos dois anos, devendo este período prolongar-se caso seja da vontade da mãe e da criança. 

A amamentação é a forma mais adequada e eficaz de alimentar um bebé. Todavia, mundialmente apenas uma em cada três crianças são amamentadas em exclusivo até aos seis meses. A OMS e a UNICEF assinalam que esta taxa não tem registado melhorias nas últimas duas décadas.

Estas instituições têm alertado repetidamente para os efeitos perniciosos das campanhas efetuadas pelas empresas produtoras “fórmulas” ou “leite em pó” para bebés. Esta é uma indústria em crescimento, que movimenta cerca de 55 mil milhões de dólares. 

Refira-se que as embalagens de leite em pó bem como os anúncios publicitários formais a leite em pó têm sempre a indicação “o leite materno é o melhor alimento para os bebés durante os primeiros 6 meses e a amamentação deverá prolongar-se durante o maior tempo possível. Antes de utilizar uma fórmula infantil consulte um profissional de saúde”. Esta indicação surge devido a uma imposição legal, não a uma opção destas empresas. 

Em abril deste ano, a Organização Mundial de Saúde publicou o estudo "Scope and impact of digital marketing strategies for promoting breastmilk substitutes" que revela que esta indústria está a pagar a redes sociais bem como a influencers nas redes sociais para promoverem leite em pó junto de mulheres grávidas e de mães.  

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