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Baixa escolaridade dos pais continua a condicionar habilitações das gerações seguintes

Um relatório do Banco de Portugal conclui ser “evidente” que a escolarização dos pais condiciona a qualificação dos filhos. Nos casos em que se somam problemas económicos à baixa escolarização o problema é ainda mais esmagador: apenas 10% conseguiram concluir um curso superior.
Educação. Foto de Paulete Matos.
Educação. Foto de Paulete Matos.

Segundo o boletim económico de maio do Banco de Portugal, divulgado a semana passada, o número de portugueses filhos de pessoas com habilitações até ao 9º ano que conseguem concluir um curso do ensino superior é de apenas 18,6%. Nos casos em que, para além da baixa escolaridade, também existam problemas económicos o número é ainda mais baixo: 10%.

Esta parte do relatório do regulador bancário nacional, intitulada “A transmissão intergeracional da educação em Portugal”, mostra ainda que 73,2% dos portugueses cujos pais têm habilitações ao nível do ensino superior concluíram cursos desse tipo. Por outro lado, foram 55,9% aqueles cujos pais tinham andado na escola até ao 9º ano e alcançaram esse mesmo nível de escolaridade.

O documento analisou os dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento do Eurostat, que dizem respeito a 2019, e concluiu ser “evidente” que os níveis educacionais dos pais “condicionam a obtenção de qualificações” dos filhos. As condicionantes económicas também. De acordo com o Banco de Portugal. “sem surpresa, existe uma associação positiva entre a educação dos pais e a situação financeira quando os respondentes eram jovens”. E também uma associação negativa. O número de filhos de pais com o 9º ano é quase três vezes mais baixo nas situações em que a sua situação económica era considerada “má” em comparação com os casos em que era considerada “boa”.

Assim, em Portugal “o impacto da situação financeira sobres os percursos escolares é mais acentuado” em comparação com países como a Itália, a Alemanha, a Grécia, a Bélgica e a França. Estas desigualdades são apresentadas como “o maior entrave ao desenvolvimento de qualquer país”.

De acordo com os dados trabalhados pelo BdP para este boletim económico, a evidência de transmissão intergeracional persiste nas gerações mais novas, embora em menor medida.”

Para a instituição, “a transmissão intergeracional da educação, reforçada pela interação com a situação financeira das famílias, tem implicações importantes no percursos educativos, na inclusão social e no potencial de crescimento económico.

As recomendações do Banco de Portugal vão no sentido de sublinhar “a importância de compreender os mecanismos de transmissão intergeracional da educação de modo a adaptar as políticas a desenhar políticas públicas que potenciem oportunidades para todos”.

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