“Se não garantirmos o direito à habitação, os outros vão-se desmoronar, como a saúde. Não existe previsão para as pessoas serem realojadas”, afirmou Maria Manuel Rola em declarações à comunicação social, sublinhando que “não é admissível” que a Câmara de Loures assuma que o processo de realojamento pode demorar dez anos.
“Existem construções de madeira. Já houve incêndios. Há a possibilidade de haver curto-circuitos e focos de incêndio”, acrescentou a deputada, lembrando que a autarquia liderada por Bernardino Soares retirou alguns milhares de tijolos doados por uma empresa de construção civil, que visavam minimizar a situação.
Maria Manuel Rola fez ainda referência à falta de eletricidade: “Há pessoas que vivem aqui, há problemas na rede elétrica. A Câmara de Loures tem de reconhecer [os problemas]. Existe uma lei que foi aprovada e deu esse poder aos municípios”, vincou.
Após a visita, a dirigente bloquista escreveu na sua conta de facebook que o Bairro da Torre “resulta da falta de políticas de habitação, resulta também do desinteresse do Estado e das câmaras na resolução de problemas que fogem ao enquadramento da habitação municipal, da habitação do Estado, e são o exemplo da urgência da necessidade de um serviço nacional da habitação que garanta este direito a qualquer pessoa, seja qual for a situação”.
De acordo com Maria Manuel Rola, o bairro “é também o exemplo de uma comunidade que se entreajuda e organiza para se garantir o mínimo com a solidariedade de arquitetos, padres, vizinhos e outros tantos”.
“Angariaram materiais e gente que ajudasse a cimentar os tijolos para garantir a segurança e conforto mínimos. A Câmara tirou. A Câmara que também não reconhece que ali é necessária a instalação de rede elétrica que preveniria os incêndios que ali existiram. Nada garante que não voltem a acontecer”, escreve a deputada.
“O Bairro da Torre espera soluções desde os anos 60. A Ricardina espera há 28. A lei de bases vem agora. Que venha de cravo na lapela, como diz o Falcato e responda a estas e outras necessidades. E atribua responsabilidades a todos para que decididamente não se furtem nem empurrem de barriga em barriga. Se se quer e celebra 25 de abril, há também que o cumprir. E o essencial não pode ficar de fora”, remata.
Onda de suicídios tem varrido o Bairro da Torre
Em comunicado, a concelhia do Bloco alerta que a situação de emergência das 49 famílias que ainda residem no Bairro da Torre “tem causado uma onda de suicídios, sobretudo devido à falta de eletricidade e de condições de habitabilidade das casas e aos realojamentos deficientes e sem critérios”.
Apesar da gravidade da situação, “a Câmara Municipal de Loures não consegue arranjar solução para realojar as famílias, apesar de dizer que tem casas disponíveis”, assinala o Bloco de Loures, lembrando que “o Bairro da Torre ficou tristemente célebre após estar há mais de dois anos sem eletricidade e não ter água canalizada nem saneamento básico”.
“São cada vez maiores os problemas de saúde física e mental dos moradores do Bairro da Torre, alguns deles portadores de deficiência e outros com sérios problemas de saúde, agravados substancialmente pela condição extremamente precária e débil em que se encontram”, alertam os bloquistas.
“Além da situação degradante onde vivem ainda 49 famílias, muitas delas com crianças pequenas, a falta de luz, aquecimento e a abundância de humidade e pragas de ratos e outros animais, faz com que a situação que atualmente se vive no Bairro da Torre seja de uma emergência alarmante”, rematam.