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Badajoz, mina de urânio à vista: Bloco questiona governo

Está em processo de licenciamento uma mina de urânio perto da fronteira portuguesa. O Bloco questionou se o governo está informado sobre o assunto e o que pretende fazer uma vez que, no país, a exploração do urânio “deixou um rasto de consequências graves para a saúde dos mineiros e das populações”.
Foto de Manuel Meglez/Dehesa sin Uranio.

A herdade de Cabra Alta fica entre Vila Nueva del Fresno e Zahínos, na província de Badajoz, a escassos 25 quilómetros da fronteira, próximo de Mourão e Barrancos. Nela passa um afluente do rio Guadiana, o Alcarache. Este é o local para o qual está prevista uma mina de urânio.

Por isso, o grupo parlamentar do Bloco questionou o Ministério do Ambiente e da Transição Energética sobre se foi informado pelas autoridades espanholas uma vez que há um “potencial impacto transfronteiriço”.

Em Portugal, foram desativadas todas as minas de urânio mas a sua laboração “deixou um rasto de consequências graves para a saúde dos mineiros e das populações dessas regiões” que constitui “um elevado passivo ambiental ainda não resolvido, com processos de descontaminação morosos e de custos avultados”. Até 2017 tinham sido tratadas apenas 56% das minas e gastos 49 milhões de euros nesse processo.

Daí que o Bloco de Esquerda manifeste a sua preocupação com este caso que se soma, por exemplo, aos perigos transfronteiriços da central nuclear de Almaraz e da mina de urânio de Retortillo.

A resistência do outro lado da fronteira

A 2 de janeiro o Jornal Oficial da Extremadura trazia publicada uma autorização para pesquisa de urânio atribuída pela Direcção-Geral de Energia e Minas à empresa mineira Qbis Resources, sedeada em Granada.

Os cinco municípios espanhóis com territórios na herdade de Cabra Alta, Villanueva del Fresno, Zahínos, Oliva de la Frontera, Higuera de Vargas e Jerez de los Caballeros logo se opuseram a esta permissão. E interpuseram um recurso em que reclamam um estudo da radiação e do impacto nos recursos hídricos e informação adequada aos proprietários e moradores de zonas adjacentes. E recordam que o corredor do rio Alcarrache e a Zona Especial de Proteção de Aves de Dehesa de Jerez fazem parte da Rede Natura 2000.

O Conselho de Economia e Infraestruturas da Junta da Extremadura anunciou a seis de março a suspensão da autorização até que esse recurso seja avaliada.

Mas os protestos não param, protagonizados por uma plataforma cidadã chamada Dehesa sin uranio que tem feito manifestações, como por exemplo a 21 de março em Mérida, e outras ações de protesto contra a mineração de urânio nesta região. Para a próxima sexta-feira está marcada mais uma manifestação, desta feita em Zahínos, às 21 horas.

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