Em comunicado, o Bloco de Esquerda de Aveiro criticou a decisão da autarquia local de colocar uma escultura junto à ria que é “apenas desfrutável mediante pagamento”.
A peça foi encomendada pela Câmara Municipal de Aveiro ao escultor Rui Chafes, pretendendo assinalar a “capital portuguesa da cultura de 2024” e enquadrando-se na requalificação do Rossio e da “ponte-praça”.
O Bloco classifica esta requalificação como “paradigmática da abordagem elitista à gestão do urbanismo e do espaço público que orienta o executivo municipal PSD/CDS” e explica que, dado o seu posicionamento, apenas ser desfrutável para quem pague uma viagem num barco moliceiro, tornando-a “uma obra de arte paga pelo erário público para ser vista em exclusivo pelo turismo que paga bilhete”.
A decisão segue uma “visão marcadamente ideológica que tem orientado as opções urbanísticas do executivo municipal PSD/CDS” que aposta numa “lógica de privatização do espaço público” e “insere-se numa visão mais alargada de construção urbana onde o investimento público é para benefício de alguns, no caso dos operadores turísticos”. Pelo contrário, o partido defende que o espaço público deve ser para “usufruto de todos e não para a sua privatização em proveito de poucos”.