Aveiro: Escultura junto à ria só é desfrutada por quem paga bilhete

02 de janeiro 2024 - 18:19

Para comemorar a "capital portuguesa da cultura”, a autarquia encomendou uma escultura que só é totalmente desfrutada por quem pague uma viagem num dos barcos moliceiros turísticos. Bloquistas aveirenses criticam "abordagem elitista" da autarquia PSD/CDS.

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Simulação da escultura de Rui Chafes apresentada pela Câmara Municipal de Aveiro.
Simulação da escultura de Rui Chafes apresentada pela Câmara Municipal de Aveiro.

Em comunicado, o Bloco de Esquerda de Aveiro criticou a decisão da autarquia local de colocar uma escultura junto à ria que é “apenas desfrutável mediante pagamento”.

A peça foi encomendada pela Câmara Municipal de Aveiro ao escultor Rui Chafes, pretendendo assinalar a “capital portuguesa da cultura de 2024” e enquadrando-se na requalificação do Rossio e da “ponte-praça”.

O Bloco classifica esta requalificação como “paradigmática da abordagem elitista à gestão do urbanismo e do espaço público que orienta o executivo municipal PSD/CDS” e explica que, dado o seu posicionamento, apenas ser desfrutável para quem pague uma viagem num barco moliceiro, tornando-a “uma obra de arte paga pelo erário público para ser vista em exclusivo pelo turismo que paga bilhete”.

A decisão segue uma “visão marcadamente ideológica que tem orientado as opções urbanísticas do executivo municipal PSD/CDS” que aposta numa “lógica de privatização do espaço público” e “insere-se numa visão mais alargada de construção urbana onde o investimento público é para benefício de alguns, no caso dos operadores turísticos”. Pelo contrário, o partido defende que o espaço público deve ser para “usufruto de todos e não para a sua privatização em proveito de poucos”.