Em 2007, Christine Lagarde, então ministra da Economia do governo de Nicolas Sarkozy, decidiu solucionar por arbitragem privada um litígio de negócios que opunha Bernard Tapie a uma estrutura pública que geria ativos do banco Crédit Lyonnais, que foi resgatado da falência nos anos 90 pelo Estado francês.
O empresário já tinha perdido o processo em tribunal, tendo entretanto recorrido da sentença. No entanto, alguns meses mais tarde, a atual diretora geral do FMI interveio e decidiu submeter o caso à arbitragem privada.
A arbitragem acabou por deliberar o pagamento de 285 milhões de euros de indemnizações a Tapie, pagamento este que foi autorizado por Lagarde. No total, e mediante o procedimento adotado pela então ministra da Economia, o partidário de Nicolas Sarkozy acabou por arrecadar uma quantia de 403 milhões de euros (incluindo juros de 118 milhões).
O processo contra a diretora geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) foi instaurado em meados de 2011, depois de o procurador Jean-Louis Nadal ter recomendado a sua abertura por considerar terem existido irregularidades na arbitragem favorável a Tapie.
“A senhora ministra exerceu constantemente os seus poderes ministeriais para chegar a uma solução favorável a Bernard Tapie, que a assembleia plenária do Tribunal de Recurso parecia considerar ter comprometido”, adiantou, à época, Nadal.
O advogado de Lagarde, Yves Repiquet, afirmou, em declarações à France Press, que a diretora do FMI “não tem nada a esconder".
Se for acusada, Lagarde poderá ter de cumprir uma pena de cinco anos de prisão ou de pagar uma multa de 75 mil euros.