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Automóveis híbridos são “desastre ambiental”, revela estudo sobre emissões reais

Estudo da Federação Europeia de Transportes e Ambiente confirma que emissões de CO2 dos híbridos plug-in em condições reais são iguais ou superiores às dos automóveis convencionais. Associação Zero quer fim dos incentivos fiscais a estes veículos.
Capa do relatório da  Federação Europeia de Transportes e Ambiente
Capa do relatório da Federação Europeia de Transportes e Ambiente

A associação ambientalista Zero tem chamado a atenção para a fatia crescente dos automóveis híbridos plug-in “de fachada” no mercado de vendas de automóveis elétricos em Portugal, que já ascende a cerca de metade das vendas neste segmento. Estes veículos, aponta a associação, “têm baixas autonomias em modo eléctrico, raramente são carregados, têm potentes motores de combustão interna, e são também com frequência grandes e pesados (muitos são SUV), o que os faz apresentar na prática emissões de CO2 duas a quatro vezes superiores às contabilizadas nos testes”. Apesar de não trazerem nenhum benefício para o ambiente, a sua venda conta com fortes apoios públicos em benefícios fiscais, “especialmente nas vedas para o setor empresarial”.

Agora, a Zero divulga um estudo da Federação Europeia de Transportes e Ambiente que confirma que os veículos híbridos plug-in emitem “em condições reais de utilização tanto ou mais dióxido de carbono (CO2) que um automóvel similar convencional”. Ou seja, ao contrário do que apregoam os seus fabricantes e os testes de fábrica, uma análise aos três modelos mais vendidos no ano passado na Europa - BMW X5, Volvo XC60 e Mitsubishi Outlander, conclui que “mesmo em condições de teste ótimas, em que os veículos são utilizados da forma mais moderada possível e com as baterias completamente carregadas, as suas emissões são 28-89% superiores às contabilizadas nos testes”. Se os veículos forem conduzidos usando apenas o motor de combustão, “estes carros emitem três a oito vezes mais CO2 que aquilo que os testes indicam”, prossegue o estudo, acrescentando que esse valor pode chegar a ser 12 vezes superior se motor a combustão for utilizado para carregar as baterias – “algo frequente antes de os condutores entrarem em zonas urbanas de emissões reduzidas”.

 

 Resultados do teste. Nas colunas da esquerda, o valor anunciado de emissões para cada modelo, seguido dos valores reais em modo elétrico, de combustão e de carregamento da bateria.

Por outro lado, o estudo indica que se o carro for conduzido em modo 100% elétrico com a bateria completamente carregada no início da viagem em condições realistas – incluindo viagem em autoestrada, acelerações maiores e transporte de passageiros – a autonomia real “é até 75% inferior ao publicitado  – no caso mais baixo, a autonomia correspondeu a uns meros 11 km”. O que quer dizer que na prática é constante o recurso ao motor de combustão. Como o que conta para cumprir os regulamentos é “a suposição excessivamente otimista da parcela de utilização em modo elétrico”, o resultado são “valores de CO2 irrealisticamente baixos”.

“Se os testes previssem um fator de utilização elétrica real, tanto de utilização privada como empresarial, estes veículos apresentariam valores oficiais 50-230% superiores aos atualmente em vigor”, conclui o estudo da federação.

Zero quer acabar com benefícios fiscais a estes veículos

Vendidos e apoiados com dinheiros públicos com veículos “amigos do ambiente”, através de benefícios fiscais em sede de Imposto Sobre Veículos (ISV), Imposto Único de Circulação (IUC), IVA e tributação autónoma (no caso de empresas), a Zero calcula que estes subsídios indevidos tenham ascendido este ano a mais de 43 milhões de euros. “Trata-se de um valor que está a ser desbaratado no apoio a uma tecnologia poluente e que por isso, recomenda a ZERO, deve ser canalizado sem demora para tecnologias verdadeiramente verdes”, referem os ambientalistas em comunicado..

Para os ambientalistas, este tipo de veículos “só serão uma tecnologia compatível com os desígnios ambientais da Europa e de Portugal em matéria de emissões de CO2 quando proporcionarem uma real autonomia em modo elétrico muito superior à atual, e quando a sua utilização em modo elétrico exclusivo, sem recurso ao motor de combustão, se possa fazer em reais condições de utilização”.

Em todo o caso, sublinha a associação, a transição energética no setor dos transportes deve assentar em primeiro lugar no transporte público, preferencialmente sem emissões, em modos suaves de deslocação, “e, só por fim, em automóveis 100% elétricos”. Quanto à tecnologia dos híbridos plug-in, a Zero entende que “terá um papel menor na transição energética”.

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