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Autarca russo protesta em tribunal contra a guerra

Preso desde abril no âmbito das leis contra a "informação falsa" e as críticas às Forças Armadas, o deputado municipal moscovita Alexei Gorinov apareceu em tribunal com um cartaz a dizer "Sou contra a guerra".
Alexei Gorinov protesta no tribunal. Foto @SobolLubov/Twitter

Alexei Gorinov, eleito para o Conselho Municipal de Krasnoselsky, em Moscovo, foi detido em abril e acusado de espalhar desinformação e desacreditar as Forças Armadas russas. Em causa estava uma intervenção do autarca nesse mês durante uma reunião que discutia a organização de um festival de dança e um concurso de desenhos infantis. Gorinov e outra autarca da oposição, Elena Kotenochkina, que presidia à sessão, criticaram aquela proposta por estar a decorrer uma guerra que mata crianças na Ucrânia. Gorinov defendeu que "todos os esforços da sociedade civil devem ter por objetivo parar a guerra e retirar as tropas russas do território ucraniano" e que votaria a favor de propostas nesse sentido.

Gorinov e Kotenochkina foram acusados ao abrigo das novas leis que punem com penas pesadas de prisão as críticas aos militares e o que as autoridades considerem "informações falsas". Em  tribunal, o autarca voltou esta terça-feira a desafiar o poder que decretou a invasão da Ucrânia e a batizou de "operação militar especial", surgindo com uma folha A4 onde se lia "Sou contra a guerra".

"Se vejo alguma coisa ilegal ou má, digo-o. Se calhar é por isso que ganho sempre as eleições", afirmou Gorinov ao tribunal, negando a acusação de que as suas palavras  tenham sido motivadas pelo ódio, dado que isso entraria em contradição com os seus valores cristãos. Quanto à acusação de conspiração, responde que já passou dos 70 anos e não precisa de conspirar com ninguém para dizer o que pensa. Kotenochkina conseguiu sair do país antes de lhe ser dada ordem de prisão e está a ser julgada à revelia.

Gorinov arrisca uma condenação até 10 anos de prisão e a Amnistia Internacional chamou a atenção para o seu caso no início do mês, quando já estava preso há cinco semanas, apelando à sua libertação e à de todos os detidos ao abrigo do recém-criado crime. A ONG diz que a acusação concluiu a investigação a este caso no tempo recorde de uma semana e deu ao acusado apenas um dia para rever o processo, o que considera uma violação do seu direito a preparar a defesa.

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