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“Aumento dos salários é uma condição essencial da dignidade e da economia”

No final do Encontro Feminista do Bloco, Catarina Martins defendeu que o salário mínimo pode ir bem além dos 600 euros em 2019 e que é preciso aumentar todos os salários mais baixos, tanto no público como no privado.
Foto Esquerda.net

Durante a sua intervenção na sessão de encerramento do Insubmissas - 4º Encontro Feminista do Bloco de Esquerda, a coordenadora bloquista sinalizou que mais de metade das pessoas que recebem o salário mínimo nacional (SMN) em Portugal são mulheres e que as profissões maioritariamente ocupadas por mulheres são aquelas que têm os salários mais baixos.

"É por isso também uma política concreta e uma política feminista a exigência de subida do SMN ou a exigência de subida de todos os salários mais baixos na nossa sociedade”, frisou.

Catarina Martins lembrou que o Bloco fez um acordo com o PS “que obrigou à subida do SMN 5% ao ano".

“Dissemos logo em 2015 que achávamos que havia condições para já estarmos nos 600 euros em 2016. Mas não chegamos a acordo e fizemos uma subida de mínimos: enquanto não fosse 600 euros tinha de subir pelo menos 5% ao ano”, explicou.

Sinalizando que “já tivemos prova que a subida faz bem à economia”, Catarina Martins defendeu que o salário mínimo pode ir bem além dos 600 euros em 2019.

De acordo com a dirigente do Bloco, “não podemos ceder à chantagem do patronato” e, "no momento em que se começam a discutir as ‘Grandes Opções’, há duas opções que têm de ser claríssimas sobre estes salários: que o aumento do SMN pode ir bem além dos 600 euros em 2019 e que não é aceitável que alguém diga que os trabalhadores do Estado já não precisam de aumentos".

"Porque nós conhecemos as auxiliares das escolas, dos hospitais, dos centros de saúde, todas aquelas que ganham 600/700 euros que não chegam até ao fim do mês e, portanto, sabemos que o aumento do salário é uma condição essencial da dignidade e da economia”, acrescentou.

A coordenadora bloquista destacou que “as causas dos feminismos são particularmente importantes numa altura em que vivemos um tempo paradoxal”. Se, por um lado, "é verdade que o feminismo é agora uma palavra conhecida" e debatida, também é verdade que têm sido feitos grandes "ataques públicos às reivindicações feministas".

Sublinhando que uma política feminista tem de ser capaz de pensar o concreto das vidas, Catarina Martins fez referência aos projetos que o Bloco de Esquerda apresentou do ponto de vista da Justiça “para acabar com este absurdo de, em Portugal, ser maior a pena para quem rouba património do que para quem agride uma mulher”.

Para a coordenadora do Bloco, esta é uma mudança que tem de ser feita e os partidos têm de fazer o seu trabalho para que o consenso existente no que respeita à necessidade de combater a violência doméstica tenha “o seu espelho na capacidade de fazer avanços legislativos”.

Catarina Martins lamentou ainda que não exista uma opção estratégica para combater a violência contra as mulheres, para evitar que o crime aconteça e para que deixemos de reproduzir vítimas e agressores.

“Não podemos continuar a dizer que a política para a igualdade são umas linhas postas nas Grandes Opções do Plano, algures lá para o fim sobre a criação de gabinetes de apoio à vítima. Gabinetes de apoio à vítima têm de existir como existem centros de saúde”, afirmou.

Segundo a dirigente bloquista, “precisamos de garantir que a educação para a igualdade de género, a educação sexual, a prevenção da violência é uma opção prioritária nas nossas escolas, no nosso sistema educativo”.

Catarina Martins lembrou também que, de acordo com os dados que o Bloco recolheu até à data, muitas autarquias não têm plano para a igualdade e que algumas justificam-no dizendo que não existem problemas de violência de género no seu concelho.

É preciso “em todos os espaços e todos os dias disputar a igualdade (…). Se o caminho é duro e o ataque é forte, sabemos que a luta feminista faz toda a diferença”, rematou.

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