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Aumento do número de médicos sem especialidade coloca em sério risco o SNS

Daqui a três anos poderão existir mais de 4 mil médicos sem especialidade, o que coloca em sério risco o SNS, a qualidade da formação médica e o atendimento de saúde à população. Parlamento aprovou proposta bloquista que visa garantir a formação especializada a todos os médicos.
Foto de Paulete Matos.

O médico interno de saúde pública Afonso Moreira, primeiro signatário da Petição contra a criação de médicos sem especialidade e a precarização na saúde, pela defesa da especialização médica, das carreiras médicas e da qualidade da saúde no país, que foi discutida esta quarta-feira no Parlamento, explica que existem cada vez mais médicos à espera de vagas para formação especializada.

Em declarações ao Esquerda.net, Afonso Moreira referiu que, segundo dados da AMPFE - Associação de Médicos pela Formação Especializada, em 2015, 114 médicos não tiveram vaga para formação especializada. Em 2016, foram 280 e, no ano passado, 670.

Para este ano, calcula-se que o número chegue aos 800, sendo que esta é uma “previsão otimista”, dado que, “devido às restrições orçamentais, acabam por se contratar médicos sem especialidade para trabalhos indiferenciado e a um custo mais baixo”, assinalam os MiN - Médicos indiferenciados, Não. A manter-se esta tendência, daqui a três anos poderão existir mais de 4 mil médicos sem especialidade, o que “coloca em sério risco o SNS, a qualidade da formação médica e o atendimento de saúde à população”, alertam.

Ler também: Petição contra a criação de médicos sem especialidade entregue no parlamento

A par da já conhecida prática de preenchimento de "buracos" nas urgências por médicos sem especialidade, Afonso Moreira adiantou que já se recorre a estes profissionais para assegurar o trabalho realizado em unidades de internamento hospitalar, como acontece na Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano.

De acordo com o MiN, “só uma inversão de politicas, com um reforço do investimento na Saúde, com uma alteração do Regulamento do Internato Médico que assegure a continuidade da formação e com o necessário (mas sempre adiado) planeamento da formação médica, será possível evitar está perigosa degradação da qualidade do SNS e da saúde dos portugueses”.

Parlamento aprova resolução para garantir formação especializada a todos os médicos

Esta sexta-feira, o Parlamento aprovou, com a abstenção do PSD e do PS e o voto favorável das restantes bancadas parlamentares, o projeto de resolução do Bloco de Esquerda que recomenda ao Governo que sejam implementadas medidas para garantir a formação especializada a todos os médicos.

Na proposta, os bloquistas referem que “não há qualquer interesse em ter médicos sem especialidade, a menos que se pretenda criar uma bolsa de recrutáveis de baixo custo para urgências hospitalares ou serviços de saúde privados, estratégia que não é proveitosa para ninguém, a não ser para as empresas que lucram com a colocação de médicos à jorna no SNS”.

O Bloco alerta que “a existência de médicos sem formação específica em nada beneficia a qualidade do SNS” e “será mais um passo para a desestruturação das carreiras médicas, que já tão fustigadas têm sido nos últimos anos”.

“A bem do SNS, dos utentes, da qualidade dos serviços de saúde disponibilizados à população é essencial assegurar que todos os médicos têm formação especializada”, lê-se no documento, que assinala que “o acesso à especialização médica é um direito de qualquer médico não podendo abrir-se a porta à ideia de que uns médicos terão especialidade e outros não”.

 

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