Depois de mais de dois anos sem mexer na taxa de juro de referência para a zona Euro, Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE), reconheceu uma subida da mesma já a partir de Abril.
Após a fixação, a partir de Abril, da taxa directora em 1,25%, há quem espere, inclusive, mais duas revisões, o que implicaria que, até ao fim do ano, a taxa rondaria os 1,75%.
Mediante o aumento da taxa de juro de referência para a zona Euro, as famílias portuguesas vão ser confrontadas com um agravamento substancial da prestação mensal destinada ao pagamento dos empréstimos à habitação.
Se, de facto, os juros cobrados nos empréstimos à habitação já estão a subir há um ano, a verdade é que a subida da taxa de referência irá acelerar exponencialmente esta escalada.
Segundo cálculos do Jornal de Negócios, as prestações da casa registarão um aumento de 55€ mensais por cada cem mil euros de crédito.
Associado ao crescimento acentuado da taxa de desemprego, aos cortes salariais e aos cortes nos apoios sociais, ao aumento do preço dos alimentos e dos combustíveis, entre outros, este aumento das taxas de juros terá consequências altamente penalizantes para a economia portuguesa e agravará a recessão já instalada.
Com a diminuição do rendimento das famílias, a procura interna vai sofrer mais um revés e o crescimento da economia fica gravemente comprometido. A subida das taxas de juros também ditará uma menor atractividade dos projectos de investimento por parte das empresas.