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Aumentam insolvências e diminui a criação de empresas em Portugal

Nos dois primeiros meses de 2020, o número de insolvências no país aumentou 27,8% relativamente ao ano passado. Por outro lado, o número de criação de empresas caiu 20,1%.
Operários fabris em Portugal. Foto de Mário Novais. Biblioteca de Arte / Art Library Fundação Calouste Gulbeknkia/Flickr.
Operários fabris em Portugal. Foto de Mário Novais. Biblioteca de Arte / Art Library Fundação Calouste Gulbeknkia/Flickr.

Os dados foram compilados pela Iberinform, uma empresa que se apresenta como “de gestão de risco, prospeção e cobrança” e que pertence ao grupo espanhol de seguros de crédito Crédito y Caución e noticiados pelo jornal I esta segunda-feira.

Mostram um quadro económico agravado relativamente ao passado recente. Em comparação com o arranque do ano de 2019, nos dois primeiros meses deste ano desceu a criação de empresas e aumentaram os processos de insolvência.

A criação de empresas recuou 20,1%. Em janeiro e fevereiro de 2020 foram criadas 9237. No mesmo período de 2019 tinham sido 11559.

Os processos de insolvência aumentaram percentualmente ainda mais. Houve mais 27,8% de processos deste tipo no período analisado, totalizando 1061, comparando com apenas 830 em 2019. Em janeiro foram 571 insolvências e em fevereiro 490.

Em termos absolutos, na distribuição pelo país, Lisboa e Porto somam mais insolvências. O Porto tem mais do que Lisboa: 251 face a 237. Em termos percentuais até nem são quem mais aumenta. Este aumento foi mais significativo em Lisboa, 41,1%, do que no Porto, 18,4%. Mas noutros distritos há aumentos percentualmente marcantes: em Portalegre houve um aumento de 350%, em Angra do Heroísmo 125% e em Santarém 100%.

Na tendência contrária, apenas quatro distritos registam diminuições: Vila Real, como menos 66,7%, Coimbra com 34,4%, Setúbal com menos 12,7%) e Ponta Delgada com menos 11,1%.

Por setor a área da Eletricidade, Gás e Água é que tem mais percentagem de insolvências com mais 200%, a Agricultura, Caça e Pesca teve 109,1% e a Indústria Extrativa mais 100%. Se considerarmos o número total de pedidos de insolvência, o setor que lidera o ranking é a Indústria Transformadora com 230 processos, os Outros Serviços seguem-na de perto, com 220, a seguir vem a Construção e Obras Públicas com 143), o Comércio a Retalho com 142 e o Comércio por Grosso (130).

No que diz respeito à criação de empresas, é de notar que foram constituídas menos 20,1% num ano: tinham sido 11559 em 2019, passaram a ser apenas 9237 em 2020. Criaram-se no total 3093 empresas em Lisboa, menos 15,1%, e 1651 no Porto, menos 21,2%. Só Ponta Delgada e Angra do Heroísmo, com variação nula, e Portalegre, com aumento de 106%, fugiram à tendência de baixa neste item.

O setor da Indústria Extrativa foi o que mais decresceu com menos 85,7% de empresas criadas. E só dois setores tiveram aumentos na criação de empresas: o setor da Eletricidade, Gás, Água, como mais 66,7%, e o dos Transportes com mais 10,8%.

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