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Auditoria do BCP põe em xeque Paulo Macedo à frente da Caixa

Quando era vice-presidente do BCP, Paulo Macedo tratou da contratação fictícia de João Conceição, homem de confiança da EDP e na altura assessor do ministro Manuel Pinho sem qualquer contrato com o Estado. BCE pode reavaliar idoneidade do nº 1 da Caixa.
Favor à EDP através de contratação fictícia pode deixar Paulo Macedo em maus lençóis junto do BCE. Foto Manuel de Almeida/Lusa

A auditoria interna do BCP sobre a contratação de João Conceição para diretor do banco em setembro de 2008 já está nas mãos do Banco de Portugal. E segundo a edição desta sexta-feira do jornal público, trata-se de um “relatório explosivo”, ao apontar responsabilidades diretas a Paulo Macedo, então administrador com o pelouro dos Recursos Humanos e atual presidente da Caixa Geral de Depósitos. O apuramento de responsabilidades pode levar à reavaliação da idoneidade do nº 1 do banco público por parte do Banco Central Europeu e consequente afastamento do cargo.

O Ministério Público desconfia de que terão sido os bons serviços prestados à EDP, através da preparação de leis que iam ao encontro dos interesses da empresa, que estiveram na origem da contratação de João Conceição pelo BCP, banco de que a EDP é acionista. Até o salário que Conceição iria auferir no banco, sem que assumisse de facto qualquer função, foi combinado pelo próprio com António Mexia por email, com este a reencaminhar os números por email ao seu braço direito, João Manso Neto. Coube a Paulo Macedo a tarefa de executar as instruções de Mexia ao BCP, contratando João Conceição com um salário de 140 mil euros/ano mais seguros de saúde e vida e um bónus de 50%.

Com esta auditoria nas mãos, o Banco de Portugal está obrigado a remeter as suas conclusões ao Banco Central Europeu, que pode em seguida abrir um processo para reavaliar a idoneidade de Paulo Macedo para dirigir a Caixa Geral de Depósitos.

O caso de João Conceição foi um dos exemplos de promiscuidade entre a EDP e os vários governos a ser identificado durante os trabalhos da comissão parlamentar de inquérito às rendas excessivas. Ao verificar que o consultor que fez carreira na Boston Consulting ao serviço da EDP teve funções de assessor no gabinete de Manuel Pinho entre o início de 2007 e o início de 2009 sem que existisse despacho de nomeação, o Bloco de Esquerda informou o Ministério Público dessa situação.

Para além de estar nos gabinetes do governo com Manuel Pinho na altura da extensão da concessão das barragens à EDP e na concretização dos famosos CMEC (os custos de manutenção do equilíbrio contratual que representam uma renda garantida à gigante elétrica) Conceição também lá esteve entre 2002 e 2004, enquanto assessor do governo de Durão Barroso que concebeu os CMEC. Depois de sair do gabinete de Manuel Pinho, este quadro da Boston Consulting foi nomeado para a administração da REN, onde ainda se mantém na sua comissão executiva.

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