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Atriz e jornalista revelam ter sido vítimas de assédio sexual no trabalho

A atriz Sofia Arruda afirmou que foi afastada de uma estação de televisão por ter rejeitado propostas sexuais. A ex-jornalista da SIC Bárbara Guevara afirmou ter também sido vítima de assédio sexual no trabalho. CITE não recebeu qualquer queixa de assédio sexual em 2020 e UMAR afirma que as vítimas continuam a sentir que ninguém vai acreditar nelas.
Atriz Sofia Arruda revela ter sido vítima de assédio sexual no trabalho / Fotografia: Instagram de Sofia Arruda

No programa “Alta Definição”, da SIC, conduzido por Daniel Oliveira e transmitido no dia 17 de abril, a atriz Sofia Arruda revelou que foi alvo de assédio sexual por “uma pessoa com muito poder numa estação de televisão, de uma produtora”. A atriz referiu que, de início não percebeu o que se passava, e achava que todos os pedidos de almoços e encontros eram para falar do projeto em que estava envolvida na época.

Sofia Arruda afirmou que durante um evento, a pessoa em causa lhe disse “Quando sairmos daqui, vens comigo”, proposta que ela rejeitou. “Depois disso, quando comecei a estar mais desconfortável com a situação, liguei-lhe, expliquei que sempre que fosse necessário falar de questões de trabalho marcávamos uma reunião e a minha agente ia comigo. Fora isso, não iam existir almoços nem nada do género. Respondeu-me que ok, era a minha decisão.”

Posto isto, a atriz encontrou a pessoa em questão nas gravações. “Estava sentada na cadeira de maquilhagem, a pessoa chegou, agarrou-me no braço e perguntou-me se [a não disponibilidade para encontros não profissionais] era a minha última decisão. Eu disse que sim e ele respondeu-me: ‘Nunca mais vais trabalhar aqui’. Fiquei quieta a pensar naquilo uns bons momentos, enquanto me maquilhavam o braço, que ficou marcado com os dedos dele. Assim que o projeto acabou, fiquei uns cinco, seis anos sem trabalhar naquela estação.”

A também atriz e amiga de Sofia Arruda, Sara Barros Leitão, veio a público afirmar que “o que a Sofia disse na entrevista é de uma coragem impossível de caracterizar”.

 

Entretanto, a ex-jornalista Bárbara Guevara afirmou no Twitter que “durante anos, fui alvo de assédio sexual e abuso de poder (chantagem), sobretudo quando trabalhava em televisão enquanto jornalista, na SIC. Ao longo desse tempo, outras miúdas confidenciaram-me relatos semelhantes, com as mesmas ou outras pessoas.” 

Recorde-se que, em 2018, Catarina Furtado foi uma das primeiras figuras públicas portuguesas a afirmar ter sido vítima de assédio sexual em contexto laboral, em entrevista ao Podcast “Cada Um Sabe de Si”, com Diogo Beja e Joana Azevedo.

CITE não recebeu nenhuma queixa por assédio em 2020

Em 2020, a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE) não recebeu qualquer queixa por assédio sexual, afirmou a presidente desta Comissão, Carla Tavares, em declarações ao Público, acrescentando que “a única explicação que podemos encontrar para os números serem tão baixos é o silêncio que ainda impera sobre este tipo de situações”.

Também em declarações ao Público, a jurista da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), Ana Marciano, afirmou que “a associação não entende por que razão o assédio sexual ainda não foi autonomizado enquanto crime e considerado crime público. A UMAR continua a defender a necessidade de se proceder a essa alteração legislativa, que permitiria que qualquer pessoa que tivesse conhecimento de uma situação dessas a pudesse denunciar.”

Internacionalmente, o processo de denúncias de situação de abusos sexuais em contexto laboral foi desencadeado com diversas denúncias a visar o produtor Harvey Weinstein, entretanto condenado em tribunal, tendo originado uma segunda onda de denúncias e credibilização das mensagens das mulheres, designado como movimento #metoo.

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