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Atirador de El Paso confessou ter “mexicanos como alvo”

Patrick Crusius, de 21 anos, foi detido sob acusação de ter levado a cabo o tiroteio em massa no Walmart de El Paso. Segundo a imprensa internacional, confessou que tinha “mexicanos como alvo”.
Fotografia: commondreams.org
Fotografia: commondreams.org

De acordo com a Associated Press, o detetive Adrian Garcia afirmou que o relatório policial sobre a detenção de Crusius revela que o mesmo saiu de um veículo parado num cruzamento, pouco depois do ataque, a dizer aos agentes que o abordaram que era o atirador.

Garcia afirma ainda que Crusius abdicou do direito de se recusar a responder a perguntas ou a fornecer informações às autoridades. Tendo concordado em falar com os detetivos, assumiu que teve como alvo pessoas mexicanas.

No passado sábado, o ataque levado a cabo resultou em 22 mortos e cerca de duas dúzias de feridos. O crime já foi referido como “crime de ódio”. O procurador de El Paso informou a imprensa de que a pena de morte será solicitada.

No mesmo dia, um homem de 24 abriu fogo em Dayton, no Ohio, em plena rua, matando nove pessoas e ferindo 27 em menos de um minuto, antes de ser abatido pela polícia.

De acordo com a CNN, duas semanas antes do tiroteio, a mãe de Crusius telefonou à polícia, dizendo que o filho tinha comprado uma arma “do tipo AK” e afirmando que não tinha nem treino, nem maturidade intelectual ou emocional para usá-la. Tendo-lhe sido perguntado se o filho tinha tendências suicidas ou ameaçado alguém, respondeu que não. Assim, foi-lhe então dito que Crusius tinha idade legal para possuir a arma que viria a matar 22 pessoas e a ferir cerca de 25 dias depois. Um pouco antes de entrar na loja onde cometeria os crimes, Crusius publicou no Instagram um manifesto de ódio, que depois foi republica no site 8chan.

Os tiroteios em massa em El Paso e Dayton provocaram um total de 31 mortos. Devido a isto, o FBI alertou para a possibilidade de haver imitadores, tendo apelado ao alerta geral.

Os dois casos voltaram a acender o debate sobre violência de extrema-direita, assente em discursos de ódio e supremacia racial. O tema é exacerbado com a presidência de Donald Trump, com o discurso incendiário sobre imigração que tem explorado e as ambiguidades que cultiva em relação à extrema-direita. Multiplicaram-se as acusações do campo democrata a atribuir responsabilidades indiretas ao presidente. Há apelos de democratas e também de republicanos para que as autoridades passem a dar aos casos de “terroristas brancos” a mesma atenção que dão à Al-Qaeda ou ao Estado Islâmico.

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