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Atentados das Ramblas: “queremos respostas!”

Dois anos depois dos atentados de Barcelona que causaram 16 mortes, somam-se as dúvidas sobre o que passou e o grau de conhecimento que os serviços secretos espanhóis tinham sobre as atividades dos atacantes. Este sábado foi dia de homenagens às vítimas.
Manifestação dos CUP sobre os atentados das Ramblas. Agosto de 2019.
Manifestação dos CUP sobre os atentados das Ramblas. Agosto de 2019. Foto CUP. Twitter.

A Câmara Municipal de Barcelona assinalou os dois anos passados dos atentados de Las Ramblas e Cambrils através de uma cerimónia discreta que contou com um minuto de silêncio e com a oferta de flores. Ada Colau, a alcadesa, declarou que “Barcelona sofreu um ataque terrível há dois anos. Continuamos ao lado das vítimas, exigindo que o Estado e a Generalitat lhes dêem o apoio digno que merecem e que a investigação judicial termine em breve. Face àqueles que querem espalhar o ódio, mais do que nunca encontrar-nos-ão unidos”.

Por sua vez, Quim Torra, presidente da Generalitat da Catalunha, adotou outra ação simbólica: foi visitar o ex-conselheiro catalão do Interior, Joaquim Forn, preso pela sua ação no referendo pela independência do país e homenageou-o pelas suas ações durante os atentados.

Forn tem sido também um dos mais veementes críticos do silenciamento da investigação à ligação entre o CNI e os autores do ataque. Recentemente, declarou ao diário Ara que “o governo espanhol optou pelo obscurantismo”.

Recorde-se que PSOE, Ciudadanos e PP bloquearam as tentativas para que houvesse uma Comissão Parlamentar de Inquérito às relações entre o Centro Nacional de Inteligência, os serviços secretos espanhóis, e o mentor dos atentados de 2017, que terá sido seu informador até às vésperas do ataque. Um conjunto de reportagens no jornal Publico espanhol, publicadas em meados do mês passado, revelou documentos que mostram que Abdelbaki Es Satt, foi contratado em 2014 para ser informador em troca de não ser deportado, tendo-se tornado imã de Ripoll com ajuda do CNI e que os telemóveis dos atacantes estavam a ser escutados cinco dias antes dos atentados.

Os CDR, Comités de Defesa da República, juntam a sua voz à denúncia do silenciamento da investigação e exigem explicações. Por isso, fizeram uma “ação silenciosa não violenta” frente à Sagrada Família que teve um caráter mais abertamente contestatário do que as cerimónias oficiais acerca da inação das entidades oficiais face ao clima de suspeição que passou a envolver os atentados.

Este movimento saber “a verdade” e os cartazes, escritos em catalão, castelhano e inglês, perguntavam “o que se esconde por detrás”. Para além destas exigências, os manifestantes, vestidos de negro e com máscaras brancas com pontos de interrogação, questionavam-se “porque se abandonaram as vítimas”?

Também o ex-presidente da Generalitat junta a sua voz ao coro daqueles que querem ver o caso melhor esclarecido. Puigdemont quer que se esclareçam os “pontos obscuros” sobre estes atentados. Para ele, “investigar em sede parlamentar é uma exigência inultrapassável”. Por isso reclama que se passem a “dedicar os mesmos esforços que se destinam a tapar as provas de uma investigação jornalística a permitr que se abra uma comissão parlamentar na qual se fale sem segredos de Estado nem matéria reservada”.

Os partidos da esquerda catalã optaram por homenagens diferentes às vítimas. A CUP manifestou-se sob o lema “as vossas políticas, os nossos mortos. Paz, solidariedade, convivência na diversidade”, sublinhando o papel das guerras para os atentados, salientando os mais de 4346 milhões de euros em venda de armamento durante o ano de 2018 e recordando que “quem quer a paz, não compra a guerra.” Exigiu-se ainda “memória e justiça a todos os que pagam as consequências do belicismo.

A ERC salientou a sua participação no minuto de silêncio. Oriol Junqueras, a partir da prisão, escreveu no Twitter: “dois anos do melhor e do pior das pessoas. Dois anos em que os vizinhos demonstraram sua solidariedade uns com os outros. Dois anos sem os que nos deixaram. Um abraço para suas famílias. É preciso reconstruir sem ódio”.

E a Juventude da Esquerda Republicana lembrou as equipas de emergência, a solidariedade cidadã que respondeu aos atentados, não deixando de denunciar "a monarquia e o Estado Espanhol" por traficar armas, impedir a Comissão de Inquérito e perseguir judicialmente aqueles que responderam aos atentados.

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