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Ataque israelita à Síria causa 11 mortos

Israel confirmou ter atacado forças sírias e iranianas nos arredores de Damasco, causando pelo menos onze mortos. Este país continua num impasse político depois de nenhum dos dois partidos mais votados ter conseguido formar governo.
Pessoa ferida na sequência dos ataques israelitas à Síria. Novembro de 2019.
Pessoa ferida na sequência dos ataques israelitas à Síria. Novembro de 2019. Foto da Agência SANA/LUSA.

O exército israelita voltou a bombardear posições da Síria causando onze mortos. Os meios de comunicação social sírios indicam que há dois civis mortos e vários feridos em Saasaa e Qudsaya, ao passo que o Observatório Sírio dos Direitos Humanos refere a existência de pelo menos onze mortos, sete dos quais não seriam de nacionalidade síria.

Os responsáveis governamentais sírios asseguram que destruíram a maior parte dos mísseis disparados por aviões israelitas, enquanto que as forças armadas israelitas reivindicam a destruição de várias baterias de defesa aérea síria quando estes ripostaram. Na versão israelita, o ataque “em larga escala” surgiu como resposta aos disparos, na passada terça-feira, de quatro rockets em direção dos montes Golã. Estes foram intercetados antes de atingir qualquer alvo. Contudo, os ataques atribuídos às forças iranianas vêm, por sua vez, no seguimento de um raid israelita contra o Aeroporto Internacional de Damasco no dia anterior.

O aeroporto militar de Mezze e outras instalações militares foram os alvos destes ataques. Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, organização com sede em Londres mas que alega ter uma ampla rede de contactos no país, foram destruídos armazéns de armas e uma base das forças iranianas.

O exército israelita tem atacado as milícias iranianas presentes na síria, assim como o Hezbollah, mas estes ataques foram os mais intensos desde janeiro.

Impasse político em Israel

Netanyahu tem procurado capitalizar politicamente os ataques feitos a semana passada na Palestina e na Síria, onde tentou assassinar o líder da Jihad Islâmica Akram al-Ajouri,mostrando-se como o grande garante da segurança do país. Sobre o ataque desta madrugada em particular declarou que “tornou claro: quem quer que seja que nos faça mal, nós vamos fazer-lhe mal de volta” e que “continuaremos a proteger agressivamente a segurança de Israel”.

Israel parece condenada a mais um processo eleitoral, uma vez que nem Netanyahu nem Benny Gantz conseguiram formar governo e que o prazo para o fazerem terminar à meia-noite. Nem o Likud nem o recém-criado partido Azul e Branco reuniram forças suficientes para quebrar o impasse que passou pelas eleições de abril e de setembro.

A única solução viável pareceria ser um acordo de governo de unidade nacional mas nenhum dos lados está disponível para ceder a liderança do governo. A insistência de Netanyahu em ficar com o cargo de primeiro-ministro apesar de ter sido menos votado do que o seu rival é entendida pelos seus adversários como uma tentativa de escapar ao julgamento de fraude e suborno a que estará sujeito a menos que tenha imunidade.

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