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Ataque aéreo a centro de detenção de migrantes na Líbia mata mais de 40 pessoas

O ataque, que também provocou mais de 80 feridos, foi lançado pelo Exército Nacional Líbio liderado por Khalifa Haftar, que controla o leste do país. A ONU considerou que o ataque pode constituir “crime de guerra” e pediu o fim do retorno dos migrantes à Líbia.
Ataque a centro de migrantes matou, pelo menos, 40 pessoas e feriu 80
Ataque a centro de migrantes matou, pelo menos, 40 pessoas e feriu 80

Um porta-voz dos serviços de emergência líbios disse à AFP que estariam 120 migrantes no centro de detenção de Tajoura e considerou que o número de mortos poderá subir. Os últimos dados das autoridades de Tripoli apontam que o número de mortos no ataque subiu para 44.

Este centro de detenção de migrantes fica situado nos arredores de Tripoli, capital da Líbia, junto a instalações militares controladas pelo governo da capital, que noticiou que o ataque foi lançado pelas forças do “criminoso de guerra Khalifa Haftar”.

Note-se que o país está atualmente dividido e em guerra interna, sendo reconhecido pela ONU o governo que controla a capital. Porém, o Exército Nacional Líbio liderado pelo marechal Khalifa Haftar, controla o leste do país e cidades como Bengazi e Tobruk e, desde abril passado, lançou um ataque à capital, pretendendo tomá-la e ser reconhecido internacionalmente.

Em 22 de maio passado, Khalifa Haftar foi recebido em Paris pelo presidente francês Emmanuel Macron, que apelou ao fim da guerra na Líbia, tendo o marechal respondido que "não estão reunidas” sequer as condições para um cessar-fogo. "Claro que uma solução política continua a ser o objetivo. Mas para voltar à política, primeiro temos de acabar com as milícias", afirmou então Khalifa Haftar.

A agência dos refugiados da ONU na Líbia condenou o ataque ao centro de detenção. A agência tem criticado os centros de detenção de migrantes na Líbia, por condições desumanas e violação dos direitos humanos.

A União Europeia, pelo contrário, apoia e estimula a perseguição aos migrantes por parte do governo de Tripoli, nomeadamente da sua guarda costeira.

Este ataque pode claramente ser um crime de guerra”

Segundo a Lusa, o enviado da ONU à Líbia, Ghassan Salame, declarou que o ataque ao centro de detenção de Tajoura pode constituir um “crime de guerra, atingindo inocentes”.

Salame pediu à comunidade internacional para "condenar este crime e impor sanções apropriadas aos que realizaram esta operação em flagrante violação do direito internacional humanitário".

Horas antes, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados tinha condenado o ataque e pedido o fim do retorno de migrantes à Líbia. O porta-voz do Alto Comissariado, Charley Yaxley, lembrou que já há dois meses a estrutura tinha alertado para o risco que os migrantes corriam neste centro, devido à violência em Tripoli.

Notícia atualizada às 16.30h de 3 de julho de 2019

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