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AstraZeneca volta a falhar entrega de vacinas à UE

Depois das notícias que apontam a redução a metade do número de doses fornecidas à União Europeia entre abril e junho, a farmacêutica responde que tentará garantir o acordado no segundo semestre do ano, fabricando as vacinas fora do espaço europeu.
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Foto Tim Reckmann /Flickr

Um porta-voz da farmacêutica AstraZeneca, citado pela Agência France Presse, diz que a empresa "está a trabalhar para aumentar a produtividade na sua cadeia logística na União Europeia” e usará "a sua capacidade mundial para garantir a entrega de 180 milhões de doses à UE no segundo semestre do ano". No entanto, apenas “metade do volume esperado deve vir da cadeia de abastecimento da UE”, acrescentou.

Estas declarações surgem em resposta às notícias que punham em causa o fornecimento de metade da encomenda total. Em vez das 180 milhões de doses contratadas para o segundo trimestre de 2021, a empresa admitiu a hipótese de entregar menos de 90 milhões, confidenciou um funcionário europeu envolvido nas negociações à agência Reuters.

A concretizar-se esta falha no fornecimento, será a segunda vez que a farmacêutica não cumpre o acordado com a União Europeia. Neste primeiro trimestre, apenas serão disponibilizadas 40 milhões de doses, cerca de metade do previsto  o acordo inicial.

Esta revisão dos números terá como consequência a adaptação e atraso dos calendários de vacinação na Europa. Esta quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros, comentou o caso no Parlamento, dizendo que “o objetivo não está comprometido mas o timing é ajustado”. O atraso terá também consequências na cooperação com os  Países Africanos de Língua Portuguesa, aos quais Portugal destinaria 5% das doses recebidas.

"A recalendarização no plano interno obriga à recalendarização na cooperação. A nossa estimativa é iniciar o processo de distribuição de 5% das vacinas que afetámos a fins de cooperação bilateral o mais cedo possível ao longo do próximo semestre", indicou Augusto Santos Silva, citado pelo jornal i.

Menos diplomático, o ministro da Saúde holandês diz já ter sido contactado pela empresa a anunciar a redução do número de doses a entregar ao país: em vez das 6.8 milhões acordadas, serão apenas entregues 4 milhões de doses no segundo trimestre. “A AstraZeneca é uma empresa muito complicada para se fazer acordos firmes. Estão constantemente a mudar os calendários de entrega. Assim damos em doidos, porque é a data de entrega que determina o ritmo a que vacinamos”, afirmou Hugo de Jonge, citado pelo NL Times.

Recorde-se que a AstraZeneca fez um acordo com a Universidade de Oxford para a compra da sua patente depois desta ter feito toda a investigação, para colocar a sua capacidade produtiva ao serviço do esforço internacional. Segundo a BBC, nas negociações os cientistas de Oxford impuseram como condição de cedência da patente à empresa o preço de custo. Esta semana vieram a público os contratos da empresa com a UE sobre o preço das vacinas, que apenas a obriga a fazer o preço de custo até Junho de 2021.

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