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Assassino de George Floyd considerado culpado de todos os crimes

O polícia de Minneapolis Derek Chauvin foi julgado durante três semanas e o júri chegou imediatamente a um veredicto. A sentença será dada dentro de oito semanas.

Foi lido esta terça-feira o veredicto do júri do caso de George Floyd. Derek Chauvin, o polícia de Minneapolis acusado do assassinato, foi considerado culpado de todos os crimes de que era acusado: homicídio em segundo, em terceiro grau e homicídio involuntário.

Foram precisas apenas dez horas para que os doze elementos do júri chegassem a estas conclusões. Por decisão do juiz Peter Cahil, Chauvin ficará agora na prisão à espera de sentença, que será lida daqui a oito semanas. A defesa anunciou desde já que vai recorrer.

Pelo homicídio em segundo grau, o ex-polícia arrisca-se a um máximo de 40 anos de prisão. Como não tem antecedentes, poderá apenas ser sentenciado a dez ou quinze anos. Para o homicídio em terceiro grau a pena máxima é de 25 anos. E para o homicídio involuntário o máximo é de dez anos de prisão.

Os outros três polícias envolvidos na detenção, Thomas Lane, Alexander Kueng e Tou Thao, estão a aguardar um julgamento separado com início marcado para 23 de agosto.

O assassinato de George Floyd, um afro-americano de 46 anos, em 25 de Maio de 2020, chocou o país. O homem foi considerado pela polícia de Minneapolis como suspeito de tentar pagar compras com uma nota falsa de vinte dólares, foi detido e agredido. Acabou por morrer.

Só que a sua morte foi registada em imagens divulgadas nas redes sociais. Nelas se pode ver Chauvin a asfixiar Floyd com um joelho no pescoço, enquanto este diz que não consegue respirar. A revolta estalou nos Estados Unidos e o movimento Black Lives Matter regressou com uma força que atravessou fronteiras.

Associações dizem que foi feita alguma justiça mas é preciso fazer mais...

Em reação ao veredicto, as associações de direitos humanos norte-americanos congratularam-se moderadamente. Para a União Americana pelas Liberdades Civis, ACLU, trata-se de uma “pequena vitória para a responsabilização da polícia” que “pode ajudar a sarar as feridas de uma comunidade em luto”. Só que “os sistemas que permitiram que George fosse assassinado permanecem intactos”. E “uma verdadeira justiça para George Floyd significa renovar a nossa convição em criar um mundo que a polícia não tenha oportunidade para usar violência de forma a tornar os negros em alvos”.

A Human Rights Watch, por intermédio da sua diretora-executiva, Nicole Austin-Hillery alinha no mesmo discurso. Para a ativista, o resultado do julgamento “não muda a necessidade urgente de uma reforma alargada do policiamento nos Estados Unidos”. Mostra ainda que se pode alcançar justiça nos EUA mas que “precisamos de justiça todos os dias, para todas as pessoas em todas as instâncias”. Mas a dirigente associativa faz também questão de sublinhar que, para se chegar a este veredicto, foi preciso que houvesse um vídeo indiscutível que mostrou “a tortura horrível e a morte de um corpo negro”.

 

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