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Arquitetura: Inquérito mostra setor "altamente precarizado"

Um relatório do Movimento dos Trabalhadores de Arquitetura revela “peso notório” dos recibos verdes, desigualdade salarial de género e preponderância de homens em patamares onde o salário é mais elevado.
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11 de março de 2020 - Foto do Movimento dos Trabalhadores em Arquitetura | Facebook

Foi divulgado o Relatório do Inquérito aos Trabalhadores em Arquitetura, realizado entre 14 de abril e 17 de maio de 2020 pelo Movimento dos Trabalhadores em Arquitetura (MTA). O jornal Público, que cita o relatório, refere que o trabalho é “altamente precarizado” e existe um “peso notório” dos falsos recibos entre os 87% de trabalhadores dependentes, tal como um salário médio mensal de 870,75 euros, 100 euros abaixo da média nacional.

O relatório está disponível, na íntegra, no site do MTA e recebeu 555 respostas, das quais 536 foram validadas. O documento revela a falha, entre 39% dos inquiridos, no que toca ao pagamento do subsídio de Natal.

O inquérito foi dividido em duas partes: na caracterização dos trabalhadores e da sua situação laboral, mas também nas consequências provocadas pela covid-19, já que o estudo foi feito em plena primeira fase da pandemia.

Relativamente à ocupação laboral, 78% dos inquiridos exercem a arquitetura como profissão e 14% são estagiários. 63% cumprem a sua atividade por conta de outrem em regime de exclusividade, e 22% são trabalhadores independentes.

Metade dos trabalhadores assalariados têm contrato sem termo. Entre os trabalhadores independentes, o estudo concluiu que 67% mantêm a sua atividade num só beneficiário e 43% reconhecem-se na situação de falsos recibos verdes.

Dos inquiridos que deram a resposta de trabalhar por conta de outrem, 81% afirmou que tem contrato com o empregador, com 47% a contrato sem termo. Os trabalhadores com contratos de estágio ou apoiado pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional representam 15% das respostas.

No que concerne à situação salarial dos inquiridos, 79% recebem um salário bruto mensal inferior a 1.065 euros, 11% têm salários entre os 1.066 e 1.225 euros e 5% com valores superiores a 1.425 euros.

39% dos trabalhadores denunciam não receber o subsídio de Natal. Destes, 23% são profissionais por conta de outrem, mas o valor sobe para os 91% entre os que trabalham a recibos verdes.

A desigualdade salarial de género também acontece entre os trabalhadores em arquitetura e quem tem remuneração mais elevada, na sua maioria são homens.

A pandemia e os trabalhadores em arquitetura

80% dos trabalhadores viram a sua atividade encerrada durante o período que abrangeu o inquérito, de 14 de abril a 17 de maio de 2020. No entanto, 74% implementaram o regime de teletrabalho.

Relativamente às medidas de segurança e higiene, só 5% dos inquiridos afirmam que estas medidas foram acatadas.

No âmbito da remuneração salarial, um total de 27% dos trabalhadores refere ter perdas de salário derivadas da pandemia da covid-19. Os encargos do teletrabalho também ficaram, na sua maioria, sob responsabilidade dos trabalhadores.

O MTA sublinha ainda que nesta nova fase do confinamento continuam a ser denunciadas situações de coação sobre trabalhadores e estagiários, nomeadamente despedimentos ilegais, corte indevido de subsídios e incumprimento de obrigatoriedade de teletrabalho.

O MTA lançou hoje, 9 de Fevereiro de 2021, o Relatório Completo do Inquérito aos Trabalhadores em Arquitectura, levado a...

Publicado por Movimento dos Trabalhadores em Arquitectura em Terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

 

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