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Aristides de Sousa Mendes no Panteão Nacional

Em 1940, o então Cônsul de Portugal em Bordéus, Aristides Sousa Mendes, desobedeceu às ordens de Salazar e emitiu vistos que permitiram a fuga ao regime nazi de milhares de refugiados. Salvou dez mil pessoas. Hoje recebeu Honras de Panteão Nacional.
Aristides de Sousa Mendes no Panteão Nacional. Fotografia: Instituto diplomático

Pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, Aristides assumiu funções como cônsul em Bordéus, França. Em 1939, Portugal emitiu uma diretiva apelidada de “Circular 14”, que condicionava a emissão de vistos a pessoas refugiadas por diplomatas portugueses, sem autorização prévia.

Desobedecendo a esta norma, Aristides de Sousa Mendes emitiu milhares de vistos, a maioria entre 12 e 23 de junho de 1940, salvando assim mais de dez mil pessoas que fugiam do regime nazi. Esta decisão valeu-me mais tarde a expulsão da carreira diplomática. 

Esta terça-feira, recebeu Honras de Panteão Nacional, passando a figurar ao lado de Aquilino Ribeiro, Guerra Junqueiro, Almeida Garrett, Sophia de Mello Breyner Andresen, Amália Rodrigues ou Humberto Delgado. O processo de concessão de honras a Aristides de Sousa Mendes surgiu na sequência da aprovação de um projeto de resolução proposto pela deputada Joacine Katar Moreira.

 

Na cerimónia intervieram Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa, Ferro Rodrigues e Margarida de Magalhães Ramalho. O Coro do Teatro Nacional de São Carlos interpretou “Requiem”, de Gabriel Fauré, e foi projetado um vídeo com vários testemunhos sobre a ação de Aristides Sousa Mendes. 

Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches nasceu a 19 de julho de 1885, em Cabanas de Viriato, Carregal do Sal, Viseu. Estudou Direito na Universidade de Coimbra, juntamente com o seu irmão gémeo César. Depois de se licenciar, em 1907, com 22 anos, fez o estágio de advocacia. Em 1908 casou-se com a sua prima Angelina, com quem viria a ter 14 filhos. Em 1910, Aristides e César ingressaram na Carreira Diplomática. Aristides exerceu funções como Cônsul de Carreira na Guiana Britânica, em Zanzibar, no Brasil (Curitiba e Porto Alegre), nos EUA, (São Francisco e Boston), em Espanha (Vigo), no Luxemburgo, na Bélgica e, finalmente, em França (Bordéus). Faleceu em abril de 1954, no Hospital Franciscano para os Pobres, em Lisboa. 

Em 1966, o Memorial do Holocausto, em Jerusalém, prestou-lhe homenagem, atribuindo-lhe o título de ‘Justo entre as Nações’.

Em Portugal, em abril de 1988, a Assembleia da República decretou, por unanimidade, a reintegração, a título póstumo, na carreira diplomática do ex-cônsul em Bordéus, reconhecendo-se também o direito a indemnização reparadora aos herdeiros diretos.

Aristides foi também condecorado, a título póstumo, em 1986, com o grau de Oficial da Ordem da Liberdade e, em 1995, com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, ambas pelo Presidente Mário Soares e mais recentemente em 2016, com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, por Marcelo Rebelo de Sousa.

Em 1993, Diana Andringa elaborou para a RTP o documentário “Aristides de Sousa Mendes: O Cônsul Injustiçado” (Parte I e Parte II). 
 

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