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Argentina cancela jogo amigável em Jerusalém

O jogo estava marcado para o estádio Teddy, em Jerusalém, construído sobre uma aldeia palestiniana. A pressão feita pelos palestinianos ditou o cancelamento por parte da seleção argentina. Será uma das maiores vitórias das campanhas de boicote dos últimos anos.
Facebook/BDS
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A situação entre Israel e Palestina obrigou a Associação de Futebol Argentino a analisar a situação, em que houve ameaças e muita polémica, e decidiu não jogar a partida que estava marcada para o próximo sábado em Jerusalém.

Esta decisão veio no seguimento de intensa pressão palestiniana e os organizadores israelitas já foram informados, embora ainda não tenha havido um anúncio oficial.

O jogo, que era um amigável preparatório para o Mundial, a ter lugar na Rússia, era muito ansiado em Israel e os bilhetes esgotaram em cerca de 20 minutos. Ao mesmo tempo, fez-se sentir uma furiosa reação por parte dos palestinianos.

A equipa decidiu cancelar o jogo graças à crescente pressão de grupos pro-Palestina e a preocupações com a segurança. Após as notícias, Netanyahu, primeiro-ministro israelita, pediu ao presidente argentino, Mauricio Macri, que intercedesse junto das autoridades argentinas de forma a reverter o cancelamento. Macri terá respondido que não tem controlo sobre a decisão da equipa.

O cancelamento deste jogo significa uns dos maiores sucessos do movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções dos últimos anos. Os grupos palestinianos receberam bem a notícia, dizendo que Israel tem “sport-washed” os crimes contra os palestinianos.

A associação palestiniana de futebol lançou um comunicado em que diz “É com pesar que declaramos que, se a seleção nacional argentina mantiver o plano de jogar em Jerusalém, iremos lançar uma campanha mundial em que questionaremos a elegibilidade de a Argentina organizar o Mundial de 2030”.

“A Associação de Futebol Palestiniana solicita à Associação de Futebol Argentina e à seleção nacional argentina que se abstenham de serem usados pelos políticos do governo de Israel como ferramenta de normalização da anexação ilegal de Jerusalém leste ocupada e de branquear as violações sistemáticas, por parte de Israel, da lei internacional e dos direitos humanos”, acrescenta.

Ao aceitar o convite para jogar “na cidade ocupada de Jerusalém”, a Argentina arrisca ser considerada “indigna” de organizar o Mundial de 2030, afirma a mesma declaração.

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