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Arcebispo alemão apresenta demissão devido à “catástrofe” do abuso sexual na igreja

Reinhard Marx, uma das figuras mais influentes da ala liberal da igreja católica, ofereceu-se para renunciar ao cargo de arcebispo de Munique, afirmando ter de compartilhar a responsabilidade pela “catástrofe” de abusos sexuais cometidos por clérigos nas últimas décadas.
Reinhard Marx, Foto de Paris Lodron Universität Salzburg (PLUS)/Flickr

O arcebispo de Munique, Reinhard Marx, ofereceu a sua demissão ao Papa Francisco, afirmando ter de compartilhar a responsabilidade pela “catástrofe” de abusos sexuais cometidos por clérigos nas últimas décadas.  

A oferta, que ainda não foi aceite pelo líder da igreja católica, segue uma investigação à arquidiocese de Colónia, a maior do país, para onde foram enviados, pelo Vaticano, na semana passada, pelo Papa, dois bispos estrangeiros, responsáveis pelo inquérito. O caso causou alvoroço entre os fiéis alemães e levou a esta tomada de posição por parte do arcebispo.

Na sua carta, citada pela Reuters, Reinhard Marx, que é também um das figuras mais influentes da ala liberal da igreja católica, diz ter de “compartilhar a responsabilidade pela catástrofe de abusos sexuais cometidos por oficiais da Igreja nas últimas décadas”. Reinhard espera que a sua saída crie espaço para um novo começo.

O arcebispo declara ainda que a crise dos abusos sexuais mudou a sua fé, e fê-lo perceber da necessidade não apenas de uma reforma administrativa na Igreja, mas de "uma nova maneira de viver e proclamar a fé hoje".

Marx, de 67 anos, faz parte de um movimento na igreja denominado “Synodal Path”, um movimento que visa dar aos católicos leigos mais influência sobre o funcionamento da Igreja, sobretudo em questões como a moralidade sexual, o celibato sacerdotal e a ordenação de mulheres.

O Papa ainda não decidiu sobre a renúncia de Reinhard, enviada a 21 de maio, uma decisão que pode levar meses, mas enviou um e-mail a dizer que este a poderia tonar pública.

A igreja alemã tem um grande influência, em parte pela sua riqueza (que inclui a receita de parte dos impostos pagos pelos seus membros e recolhidos pelo governo), que a torna a mais rica do mundo. Nos últimos anos tem vindo a assistir a um êxodo acelerado de fiéis mais liberais, que fazem fila em Colónia para deixar a igreja, em clara divergência contra as atitudes conservadoras em relação às relações entre pessoas do mesmo sexo.

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