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Aquecimento da água é maior problema do que se pensava para os peixes

Estudo publicado na revista Science mostra que quando os peixes estão na desova ou são embriões são mais vulneráveis do que acreditava ao aquecimento da água. 40% das espécies não aguentarão as temperaturas previstas num cenário médio de alterações climáticas.
Trutas, uma das espécies mais ameaçadas pelo aquecimentos global. Foto de Peter Harrison/Flickr.
Trutas, uma das espécies mais ameaçadas pelo aquecimentos global. Foto de Peter Harrison/Flickr.

Havia já vários estudos que mostravam que o aquecimento global causaria problemas para a sobrevivência de várias espécies de peixe. Um estudo publicado na passada quinta-feira na revista Science, da autoria de dois biólogos marinhos do Alfred Wegener Institute da Alemanha, adensa o problema revelando que estes são mais vulneráveis do que se acreditava.

Os dados do novo estudo não contradizem o que era conhecido. A diferença é que os estudos anteriores analisavam peixes adultos e este dedica-se à fase embrionária e à desova. A conclusão anterior de que no final do século 2% a 3% dos peixes (adultos) não conseguiriam sobreviver nas águas aquecidas segundo um cenário intermédio de alterações climáticas; agora o número sobre para cerca de 40% das espécies de peixe que, nas suas fases embrionário ou na desova, não conseguirão enfrentar o calor. No pior dos cenários de aquecimento global previsto pelos cientistas serão cerca de 60% as espécies ameaçadas. Assim, ou se adaptam rapidamente às mudanças ou acabarão por se extinguir por não se conseguir reproduzir.

Os biólogos marinhos Flemming Dahlke e Hans-Otto Portner, autores do estudo alegam que “quanto mais deixamos a temperatura alterar-se… mais vamos perder a fundação natural da vida humana, incluindo a alimentação proveniente do mar.” Dahlke ainda coloca a hipótese de que “quando for demasiado quente para a desova, estas espécies podem ainda deslocar-se para algum lugar mais fresco ou então fazer a desova noutra altura, mas não será fácil”, sublinha.

“Mais de metade das espécies potencialmente em risco é um dado bastante espantoso, por isso queremos mesmo enfatizar que é importante agir e seguir compromissos políticos para reduzir as alterações climáticas e proteger os habitats marinhos”, conclui.

Das 694 espécies estudadas, algumas das mais atingidas serão escamudo do Alaska, uma espécie de bacalhau, o salmão vermelho, a truta-comum, as barracudas, o peixe-espada, por exemplo.

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