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Apelo de Gaza

Várias organizações da sociedade civil da Palestina lançaram um apelo por uma resposta mundial aos assassinatos a bordo da Flotilha da Liberdade. O esquerda.net reproduz o texto.
Concentração em Madrid à porta da embaixada de Israel. Foto Carlos Barbudo/Flickr

Apelo de Gaza a uma resposta mundial aos assassinatos à bordo da Flotilha da Liberdade

Nós, Organizações da sociedade civil palestina e militantes internacionais sediados em Gaza, apelamos à comunidade internacional e à sociedade civil para pressionarem os seus governos e Israel para cessar os sequestros e os assassinatos contra a Flotilha da Liberdade para Gaza, e a iniciarem uma resposta mundial para considerar Israel responsável pelo assassinato de civis estrangeiros no mar e pirataria ilegal de embarcações civis carregadas de ajuda humanitária para Gaza.

Agradecemos a coragem de todos os que organizaram esta intervenção de apoio e pedimos a livre passagem até Gaza para as 750 pessoas de consciência de 40 países diferentes, entre os quais 35 eleitos internacionais que tentaram quebrar o bloqueio israelo-egípcio. Apresentamos os nossos mais sinceros pêsames às famílias e amigos que perderam entes queridos no ataque.

Navegando directamente para Gaza, fora das águas israelitas, com carregamentos proibidos por Israel, mas necessários, tais como 10.000 toneladas de cimento, brinquedos, livros, chocolate, massas e mantimentos médicos, a flotilha cumpre a lei internacional e apoia a lei internacional que declara que uma punição colectiva é um crime contra a humanidade.

As privações devidas ao bloqueio de Gaza por Israel foram constatadas por todos os grupos dos direitos humanos, recentemente pela Amnistia Internacional, no seu relatório anual, que concluiu que o bloqueio “aprofundou a patente crise humanitária.

O desemprego maciço, a extrema pobreza, a insegurança alimentar e o aumento dos preços devido à escassez deixaram quatro Gazauis em cinco dependentes da ajuda humanitária. A extensão do bloqueio e as declarações dos oficiais israelitas sobre o assunto mostraram que fora imposto como forma de punição colectiva aos Gazauis, em violação flagrante da lei internacional”. As Nações Unidas declaram permanentemente que apenas uma fracção da ajuda necessária entra na Faixa de Gaza devido ao que  chamam um“ estado de sítio medieval”; John Ging, o Diretor da UNRWA em Gaza exprimiu especificamente a necessidade para a flotilha de entrar à Gaza. O novo Ministro dos negócios estrangeiros da UE Catherine Ashton renova o seu apelo para “uma abertura imediata, permanente e incondicional para o fluxo de ajuda humanitário, produtos comerciais e pessoas de e para Gaza”.

Os Gazauis não são pessoas dependentes, mas pessoas auto-suficientes que fazem o que podem para manter uma vida digna diante de esta colossal devastação feita por mão de homem, que priva tanto um início de vida, como aspirações mínimas para o futuro.

Desde Gaza, apelamos-vos a manifestar e apoiar os corajosos homens e mulheres da flotilha, dos quais muitos  foram assassinados numa missão de ajuda humanitária. Insistimos na ruptura das relações diplomáticas com Israel, nos processos para crimes de guerra e na protecção internacional dos civis de Gaza. Apelamos-vos para se juntarem ao movimento internacional crescente de boicote, não investimento e sanções para um país que mesmo assim prova que é violento e pouco contestado.

Juntem-se à massa crítica crescente pelo mundo, comprometam-se para ver o dia em que os Palestinos ver-se-ão atribuir os mesmos direitos que qualquer outro povo, onde o estado de sítio será levantado, a ocupação terminada e onde finalmente justiça será feita aos seis milhões de refugiados Palestinos.

31 maio 2010


Contactos:
Dr Haidar Eid : One Democratic Sate Group and University Teachers’ Association 
  

Dr Mona El Farra : Middle East Children’s Alliance, Gaza 
00.972(0)598.868.222 
  

Adie Mormech : International Solidarity Movement 
00.972(0)597.717.696 
  

Max Ajl : Gaza Freedom March 
00.972(0)597.750.798

Organizações signatárias :
The One Democratic State Group; University Teachers Association; Arab Cultural Forum; Palestinian Students’ Campaign for the Academic Boycott of Israel; Association of Al-Quds Bank for Culture and Info; Popular Committee against the Wall and Settlements; International Solidarity Movement; Palestinian Network of Non-Governmental Organisations; Palestinian Women Committees; Progressive Students Union; Medical Relief Society; The General Society for Rehabilitation; Gaza Community Mental Health Program; General Union of Palestinian Women; Afaq Jadeeda Cultural; Centre for Women and Children; Deir Al-Balah Cultural Centre for Women and Children; Maghazi Cultural Centre for Children; Al-Sahel Centre for Women and Youth; Ghassan Kanfani Kindergartens; Rachel Corrie Centre, Rafah; Rafah Olympia City Sisters; Al Awda Centre, Rafah; Al Awda Hospital, Jabaliya Camp; Ajyal Association, Gaza; General Union of Palestinian Syndicates; Al Karmel Centre, Nuseirat; Local Inititiative, Beit Hanoun; Union of Health Work Committees; Red Crescent Society Gaza Strip; Beit Lahiya Cultural Centre.


Tradução de Ana da Palma a partir da tradução de Jean-Pierre Tapar

 


 

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