A manifestação estava marcada, e devidamente autorizada, para este sábado, no Largo da Independência, em Luanda. As centenas de jovens que se reuniram neste local tomaram entretanto a iniciativa de se dirigirem ao Palácio Presidencial, para reivindicar a libertação de um dos manifestantes, que, segundo informações prestadas por testemunhas, teria sido raptado algumas horas antes da manifestação.
A esta intenção, a polícia angolana respondeu com uma forte repressão, causando ferimentos em várias pessoas, e deteve 24 manifestantes.
Os organizadores do protesto apresentaram um manifesto, assinado por quatro estudantes, com sete exigências. Neste documento, exigiam a destituição do presidente José Eduardo dos Santos e de todo o seu governo, assim como a eliminação da imagem do actual presidente e de Agostinho Neto, primeiro presidente angolano, do bilhete de identidade e de todo o dinheiro nacional.
Neste manifesto, os manifestantes reivindicavam igualmente "a eleição directa do Presidente da República", a distribuição equitativa da riqueza do país, a despartidarização das Instituições Públicas e dos órgãos da comunicação social, a criação de uma Comissão Nacional Eleitoral Independente, como já prevê a constituição, e ainda "que se exerça a todos níveis e em escala nacional a justiça e igualdade social”.
A Agência Lusa teve oportunidade de falar na tarde de sábado com um dos responsáveis do protesto que foi detido, que lhe descreveu a sua situação.
"Fomos presos, estamos numa carrinha há mais de trinta minutos e estamos quase a ficar asfixiados. A Polícia actuou com uma extrema brutalidade, estamos a ser molestados, até estou sem palavras. Está a existir muita brutalidade", relatou o manifestante.
Segundo este jovem angolano, estiveram presentes inúmeros elementos da Polícia "à civil" na manifestação.
Existem igualmente relatos de agressões contra jornalistas, tendo o equipamento de uma equipa de reportagem da televisão pública portuguesa sido danificado.