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Angola: Presidente exonera Isabel dos Santos

João Lourenço exonerou a filha de José Eduardo dos Santos de presidente do conselho de administração da Sonangol. O Presidente retirou também a gestão de canais da TV pública a uma empresa de outros dois filhos do ex-presidente. Receita fiscal da Sonangol caiu 30%.
Isabel dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos, foi hoje exonerada de presidente do conselho de administração da Sonangol pelo no Presidente da República de Angola, João Lourenço
Isabel dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos, foi hoje exonerada de presidente do conselho de administração da Sonangol pelo no Presidente da República de Angola, João Lourenço

O Presidente da República de Angola, João Lourenço, exonerou, nesta quarta-feira, 15 de novembro de 2017, Isabel dos Santos, filha do ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, de presidente do conselho de administração da empresa petrolífera angolana Sonangol.

João Lourenço nomeou Carlos Saturnino para novo presidente do conselho de administração da petrolífera de Angola. Saturnino era secretário de Estado dos Petróleos, cargo de que foi exonerado.

A saída de Isabel dos Santos da Sonangol era assunto de debate aceso em Angola há algum tempo. Rafael Marques tinha aconselhado a filha de José Eduardo dos Santos a demitir-se, no passado sábado 11 de novembro em makaangola.org. “Se nada tiveres para dizer a este povo e para devolver a esta Angola, do fundo do teu coração, então, irmã, sai só, em paz. Entrega tu a coroa – a Sonangol”, escreveu então o jornalista.

No mesmo artigo, com o título “Bélinha sai só”, Rafael Marques referia que “há uma estranha e crescente onda conspiratória dentro do próprio MPLA para que o camarada José Eduardo dos Santos deixe o cargo tão cedo quanto possível” e que “dentro do MPLA quer-se a consagração absoluta de João Lourenço”.

Sublinhando que tem passado muitos anos “a denunciar os excessos e os abusos monárquicos do teu pai”, Rafael Marques apontava: “Não quero passar mais anos a fio a combater os poderes absolutos, sem freios nem contrapesos, que os do MPLA e o povo incauto querem colocar nas mãos de João Lourenço”.

Empresa Semba Comunicação retirada da gestão do segundo canal da TPA

O Presidente da República de Angola retirou também à empresa Semba Comunicação (de Welwitshea “Tchizé” e José Paulino dos Santos “Coreon Du”, ambos filhos de José Eduardo dos Santos) a gestão do segundo canal da TPA.

Welwitshea “Tchizé” e José Paulino dos Santos “Coreon Du”, ambos filhos de José Eduardo dos Santos – Foto de Folha 8
Welwitshea “Tchizé” e José Paulino dos Santos “Coreon Du”, ambos filhos de José Eduardo dos Santos – Foto de Folha 8

Segundo o Folha 8, um comunicado do ministério da Comunicação Social de Angola noticiou que, “no cumprimento de orientações” do Presidente da República, “cessam a partir desta data todos os contratos entre o ministério em questão, a TPA e as empresas privadas Westside e Semba Comunicação”. Estes contratos referem-se à gestão da TPA Internacional e do canal 2.

Segundo a Lusa, o comunicado oficial refere também que a TPA Internacional deve “cessar imediatamente” a sua emissão, para permitir “completa reformulação da sua programação” e reentrada em funcionamento o mais depressa possível, e nomear um “jornalista profissional” para dirigir o canal internacional. Em relação ao canal 2, define que a programação se deve manter até 31 de dezembro, preparando nova gestão e direção para entrar em funcionamento a 1 de janeiro de 2018.

O Presidente da República de Angola, que tinha exonerado dia 9 de novembro as administrações de todas as empresas públicas de comunicação social (TPA, Rádio Nacional de Angola, Edições Novembro - proprietária do Jornal de Angola - e Agência Angola Press – Angop), falou sobre a TVA Internacional na tomada de posse das administrações a 14 de novembro:

“Um canal internacional que reflita de facto a realidade de Angola, que venda a imagem Angola, que mostre as suas belezas, que mostre sobretudo as suas grandes potencialidades, para que desta forma possamos atrair não apenas turistas, mas sobretudo potenciais investidores”, afirmou.

João Lourenço disse também que “não há democracia sem liberdade de expressão, sem liberdade de imprensa”, que são “direitos consagrados na nossa Constituição e que o executivo angolano, primeiro do que quaisquer outras instituições do Estado angolano, tem a obrigação de respeitar e cumprir”.

Receita fiscal da Sonangol caiu mais de 30%

Segundo notícia da Lusa, o governo angolano tornou público nesta quarta-feira que as receitas fiscais geradas pela empresa petrolífera Sonangol com a exportação de crude caíram mais de 30%, entre setembro e outubro.

A melhor receita fiscal mensal foi em janeiro (109,3 mil milhões de kwanzas - 558 milhões de euros), mas caiu para o valor mínimo em fevereiro (109,3 mil milhões de kwanzas - 558 milhões de euros).

Entre setembro e outubro, a receita foi de 70,7 mil milhões de kwanzas (361 milhões de euros).

Segundo o relatório de 2016 da Sonangol, o resultado líquido consolidado da petrolífera nesse ano foi 13.282 milhões de kwanzas (68 milhões de euros), menos 72% do que em 2015, "como resultado de uma diminuição nos resultados financeiros e nos resultados de filiais e associadas".

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