Angola: Jovens manifestantes clamam por Liberdade

09 de setembro 2011 - 3:20

Jovens angolanos concentraram-se junto ao tribunal, onde estão a ser julgados os manifestantes presos no passado sábado e clamaram por Liberdade. Posteriormente, dispersaram e manifestaram-se em vários pontos da cidade de Luanda. Nesta quinta feira verificaram-se novas prisões. O julgamento prosseguirá sexta feira.

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Manifestantes protestam junto ao teibunal de polícia de Luanda

Jovens concentraram-se nesta quinta feira junto ao tribunal de Luanda, manifestando a sua solidariedade com os 21 detidos no passado sábado, que estão a ser julgados em julgamento sumário e à porta fechada no Tribunal de Polícia de Luanda.

Nas manifestações de indignação junto ao tribunal foram detidas várias pessoas. O segundo comandante da polícia disse à Lusa que as detenções se verificaram porque teriam sido “arremessadas pedras” contra carros da polícia. Entre os detidos encontram-se Mfuka Muzemba, líder da juventude da Unita, Paulo Vaz, membro do Bloco Democrático, e o jornalista João Jorge, do semanário “Continente”.

Os jovens dispersaram depois e manifestaram-se em vários pontos da cidade de Luanda, nomeadamente junto às embaixadas dos EUA e da França e no Largo da Maianga.

Justino Pinto de Andrade, líder do Bloco Democrático, disse à Lusa que “para não estarem concentrados apenas num local vários grupos de jovens dispersaram e fizeram manifestações em pontos diversos da cidade”

No julgamento, os jovens estão a ser acusados de terem agredido os polícias com pedras. Foi ouvido um médico e os polícias acusadores. Segundo o advogado de defesa, David Mendes, “não ficou provada a responsabilidade” pelas agressões. “Pelo contrário. Houve um dos detidos que apresentava uma mordedura provocada por um cão da polícia e até agora ainda não recebeu assistência médica. Esse foi, aliás, uma das nossas exigências”, declarou o advogado à Lusa. O julgamento foi interrompido às 23.20h e prosseguirá nesta sexta feira.

Além dos detidos que estão a ser julgados a Human Rights Watch denunciou na passada terça feira que pelo menos 30 pessoas se encontram incontactáveis ou em parte incerta.

Com justa indignação o site ClubK-net denunciou que a RTP África prestou atenção irrisória a agressão contra os seus jornalistas e refere:

“Dois operadores da delegação de Luanda da RTP, Hugo Ernesto e Nicolau Chimbila, foram agredidos (contusões na cabeça e braços) quando no largo da Igreja da Sagrada Família colhiam imagens da manifestação [de 3 de Setembro], tendo sido assistidos numa clínica; a câmara que utilizavam foi danificada”. Porém, “o correspondente da RTP em Luanda, Paulo Catarro, (não presenciado no local), fez alusão, numa reportagem sobre o assunto, emitida pelo TJ, RTP 1, 03.Set, à danificação do material, atribuindo-a a 'elementos não identificados, infiltrados entre os manifestantes'; não assinalados, porém, os danos físicos causados aos operadores”.