No setor das comunicações, a número de queixas apresentadas à Autoridade Nacional para as Comunicações (Anacom) aumentou 3% no ano passado, face ao período homólogo. Registou-se um total de 104 mil reclamações, das quais 81 mil no setor das comunicações eletrónicas e 23 mil no setor postal.
Este acréscimo resultou do crescimento de 43% das queixas relativas ao setor postal, mais 6,9 mil reclamações do que no ano anterior. Já no setor das comunicações eletrónicas, as reclamações baixaram em 4,5%, o equivalente a menos 3,9 mil queixas.
Os CTT foram responsáveis por 87,4% do total de 23 mil reclamações no setor dos serviços postais em 2018. De acordo com as informações divulgadas pelo regulador esta quarta-feira, as queixas contra o serviço dos CTT subiram 36% no ano passado.
“Os principais motivos das reclamações foram o atraso na entrega (17%), o extravio/atraso significativo (10%), o atendimento (9%), a falta de tentativa de entrega ao destinatário (8%) e falhas na distribuição (7%)”, revelou a Anacom.
No início deste ano, o regulador sinalizou que, em 2018, os fechos dos balcões dos CTT “levaram a que tenham subido para 33 os concelhos em Portugal que já não têm estações de correios” e que, até 2017, e desde 2013, “apenas existiam dois concelhos sem estações de correios”.
A privatização dos CTT promovida pelo governo da direita, em 2015, tem-se traduzido na degradação dos serviços prestados, que se agudizou com a reorganização imposta e o fecho das estações.
Em janeiro, o Bloco de Esquerda apresentou um projeto de lei para renacionalizar os CTT, indo ao encontro daquela que tem vindo a ser a reivindicação de trabalhadores da empresa, sindicatos e das populações afetadas por esta deterioração dos serviços prestados.