“Offshores: Paraísos para quem?” é o título do debate que vai juntar as eurodeputadas Ana Gomes e Marisa Matias e a coordenadora bloquista Catarina Martins na Fundação José Saramago, em Lisboa, a partir das 17h30 deste sábado, 27 de abril.
A eurodeputada socialista foi vice-presidente da Comissão Especial do Parlamento Europeu sobre crimes financeiros e evasão fiscal (TAX3), que concluiu os seus trabalhos em março. A investigação incluiu as revelações da fuga de informação conhecida por “Paradise Papers”, envolvendo gigantes da indústria digital como a Apple, Facebook, Twitter, Uber ou Yahoo e outras grandes empresas como a Nike, Walmart, Siemens, Allianz, McDondals ou a Walt Disney Company. Estas empresas usaram offshores com o único fim de evitarem pagar os impostos que deviam na União Europeia e noutros países do mundo.
A investigação do Parlamento Europeu prosseguiu o trabalho de outras comissões que investigaram esquemas de fraude e fuga ao fisco associada aos escândalos do Luxleaks, Panama Papers, Football Leaks, Cum-ex ou Bahamas Leaks, ouvindo centenas de especialistas acerca destas fraudes fiscais bilionárias. Algumas destas investigações obrigaram a Comissão Europeia a agir, impondo multas pesadas aos infratores e obrigando governos a recuperarem o imposto em falta junto dessas empresas.
“Muito continua por fazer e o combate é difícil: as resistências são tremendas”, afirma Ana Gomes no artigo escrito para a primeira edição da revista Esquerda, que pode ser lido aqui. A eurodeputada que neste mandato termina a sua passagem pelo Parlamento Europeu acusa os governos de não corresponderem ao esforço feito e às recomendações aprovadas pelo Parlamento Europeu, cujo papel diz ter “sido e deverá continuar a ser determinante neste combate por transparência, regulação financeira e justiça fiscal”.