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Ameaças de guerra tarifária entre EUA e União Europeia

A Organização Mundial do Comércio autorizou o governo norte-americano a taxar produtos europeus no âmbito da disputa que envolve os subsídios à indústria aeronáutica. O governo de Trump apressou-se a divulgar uma lista de produtos a taxar, tendo a União Europeia respondido com a sua lista.
Foto de dogs & music/Flickr.

Boeing contra Airbus, Estados Unidos contra União Europeia. Os apoios dos dois blocos à sua indústria aeronáutica estão na base da guerra tarifária que estalou esta quinta-feira.

O governo norte-americano anunciou que vai aplicar, a partir de dia 18 de outubro, novas tarifas aduaneiras a importações vindas da União Europeia no valor de cerca de sete mil milhões de euros. O pretexto foi o apoio da UE à Airbus. A Organização Mundial do Comércio tinha decidido, na passada quarta-feira, que o governo norte-americano podia impor estas tarifas como forma de retaliação aos apoios à empresa aeronáutica europeia.

Na lista de produtos cuja taxa vai ser agravada inclui-se o queijo, whiskey, pijamas e outro tipo de vestuário, biscoitos, café, azeite e azeitonas, frutas, marisco entre muitos outros. Alguns dos produtos como as aeronaves terão uma taxa de 10%, muitos outros de 25%. A maior parte dos produtos visados são dos quatro países responsáveis pelos subsídios, França, Alemanha, Espanha e Reino Unido. Mas há também exportações portuguesas incluídas como o queijo, a carne de porco, o iogurte, a manteiga, frutas como cereja, limões e pêssegos e diferentes tipos de moluscos. Já vinho, azeitonas e azeite nacionais conseguem escapar a esta taxação.

Trump abre assim uma nova frente de guerra tarifária, num momento em que ainda não conseguiu resolver a disputa com a China. O presidente dos EUA considerou a decisão da OMC “uma grande vitória para os Estados Unidos” alcançada porque os responsáveis desta organização “percebem que não se podem safar com o que tinham estado a safar durante tantos anos que era roubar o Estados Unidos”.

Só que esta mesma organização também tinha decidido que os EUA são igualmente culpados de apoiar a Boeing. A decisão sobre as taxas aduaneiras que os países europeus poderão aplicar é que acontecerá apenas no próximo ano. Ambos os correm em paralelo nos corredores desta instituição há 15 anos.

Governos de vários dos países da União Europeia responderam às medidas tomadas do outro lado do Atlântico jurando defender os produtores nacionais. Por exemplo, o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Luigi Di Maio, declarou que vai “defender os nossos negócios”, sublinhando que queijos e vinhos italianos sofrerão. E a porta-voz do governo francês, Sibeth Ndiaye, em declarações aos meios de comunicação franceses disse se os EUA “não tiverem uma atitude de apaziguamento, a Europa não deixará passar” ameaçando com “medidas retaliatórias. Salientou contudo que lamenta uma “guerra comercial com os Estados Unidos” que “no final, não traz nada a ninguém”.

Para responder às oito páginas da lista norte-americana, a UE lançou desde já uma lista de onze páginas com “produtos que estão a ser considerados para taxas aduaneiras adicionais”. Nesta lista incluem-se frutos secos, café, vinhos e outras bebidas alcoólicas, tabaco, tratores, helicópteros e consolas de jogos.

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