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“Ambiente de pressão e medo” explica silêncio sobre humilhação no Pingo Doce

O sindicato já reagiu ao comunicado em que a Jerónimo Martins diz não conseguir apurar o que se passou no caso da trabalhadora a quem foi recusada a substituição numa das caixas do Pingo Doce da Bela Vista, em Lisboa, acabando por urinar-se no local.
Pingo Doce
Foto CESP/CGTP

O caso foi denunciado esta semana pelo CESP - Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal na página da CGTP: uma trabalhadora em funções numa das caixas do supermercado Pingo Doce da Bela Vista, em Lisboa, pediu várias vezes para ser substituída na caixa para poder ir à casa de banho e ter tempo para comer. A responsável da loja negou sucessivamente os pedidos, acabando por resultar numa situação humilhante para a trabalhadora, ao urinar-se no seu posto.

Questionada sobre a situação denunciada pelo CESP, a Jerónimo Martins diz que “o Pingo Doce procurou apurar os factos junto da equipa de loja, não existindo conhecimento deste caso, nem pelas chefias, nem pelos restantes colaboradores”.

Em reação a esta declaração da empresa, o sindicato reafirma que “se o Pingo Doce não consegue apurar o que aconteceu, isso só pode ser explicado pelo ambiente de pressão e medo que pesa sobre os trabalhadores desta empresa e que o CESP sempre denunciou e exigiu que a empresa tomasse medidas para alterar”.

“No Pingo Doce, o que impera são os baixíssimos salários de pouco mais de 600€, os horários longos e desregulados não cumprindo as regras do contrato colectivo de trabalho e com alterações sistemáticas, a falta de trabalhadores em número suficiente que obriga a brutais ritmos de trabalho, a pressão para o cumprimento de objectivos, o medo de represálias e retaliações”, aponta o sindicato, concretizando o conteúdo destas ameaças — “transfiro-te de loja, levas um processo disciplinar, mudo-te de secção, mudo-te o horário para o fecho...”

O CESP acrescenta que há situações em que os trabalhadores protestam e depois “são chamados a uma sala sozinhos com 3 e 4 chefias e são pressionados. É isto que inibe os trabalhadores de exercerem os seus direitos”, conclui o sindicato.

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