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Ambientalistas querem “Lisboa com os pés na Terra”

Oito organizações lançam um apelo contra a expansão aeroportuária. E defendem que a redução do tráfego aéreo combate “quer a poluição sonora e atmosférica, quer o turismo massificado e a crise de habitação que este provoca, quer a emissão de gases com efeito de estufa da aviação”.
Ilustração publicada pela Aterra.
Ilustração publicada pela Aterra.

A Aterra, a Campo Aberto, o Climáximo, o Gaia, a Left Hand Rotation, o Morar em Lisboa, a Rede para o Decrescimento e a Stop Despejos juntaram-se num apelo público denominado "Lisboa com os Pés na Terra". Denunciam “a intenção das elites políticas e económicas de aumentar a capacidade aeroportuária da capital” porque pensam que “quer a poluição sonora e atmosférica, quer o turismo massificado e a crise de habitação que este provoca, quer a emissão de gases com efeito de estufa da aviação, passam por uma mesma solução. Ela é simples e suave. Está frente dos nossos olhos e ouvidos: É preciso reduzir o tráfego aéreo”.

Para as entidades subscritoras deste apelo, “a crise ecológica é uma oportunidade para mudarmos radicalmente para melhor”, o que passaria pela redução da capacidade total instalada nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro e Beja, “protegendo os direitos das trabalhadoras e de todas as pessoas afetadas”, e por promover a ferrovia, “preparando o país para um futuro com muito menos viagens aéreas, visando o bem-estar e a saúde da população e do planeta”.

No apelo, a aviação é identificada como “um perigo para a saúde da população”, apresentando-se o Aeroporto da Portela como “a maior fonte de poluição de Lisboa, que é por sua vez uma das cidades mais poluídas da Europa”. As organizações não governamentais socorrem-se de “décadas de estudos científicos”que “mostram que a poluição sonora e atmosférica causada pela aviação é uma severa ameaça à saúde e ao bem estar das pessoas. Provoca perturbações no sono, stress, depressão, doenças respiratórias, dificuldades de aprendizagem, acidentes vasculares cerebrais, hipertensão arterial e outros problemas cardiovasculares”.

Diz-se igualmente que “é um perigo para a saúde planetária”, sendo “responsável por cerca de 2% das emissões globais de carbono”. Contudo, “em conjunto com outros efeitos nocivos como a formação dos rastros de condensação, o seu impacto sobre o clima triplica – algo que tem sido ocultado pela indústria e pelos governos”. Desta forma, “a aviação representou, em 2019, 6% do efeito global sobre o aquecimento da Terra. Se fosse um país, seria o 6º país com mais emissões poluentes” e é ainda “a fonte de gases com efeito de estufa que mais rapidamente cresce: na União Europeia, aumentou 146% nos últimos 30 anos”.

Os ambientalistas consideram que “não há nenhuma emergência de sobrelotação da Portela”, o que há é uma “emergência de injustiça e de sobrepoluição do planeta”, destacando que “a aviação é o mais injusto dos meios de transporte”.

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