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Ambientalistas portugueses ajudam desobediência civil climática em Madrid

A Climáximo participa esta segunda-feira numa ação de desobediência civil. Os defensores do clima bloquearam a zona do complexo governamental conhecido como Nuevos Ministerios em Madrid. Exigem medidas imediatas para ultrapassar a “inação governamental”.
Ação de desobediência civil climática em Madrid. Outubro de 2019.
Ação de desobediência civil climática em Madrid. Outubro de 2019. Foto de Greenpeace.

Em mais uma ação de desobediência civil em nome do clima, centenas de ativistas ocuparam a partir das nove horas da manhã desta segunda-feira, a zona dos Nuevos Ministerios, em Madrid, em protesto contra a “inação dos governos”. Estão distribuídos em dois grupos, uns ocuparam uma ponte nas imediações deste complexo governamental, outros estão a fazer uma acampada em frente ao Ministério para a Transição Energética.

O protesto foi convocado pela plataforma 2020 Rebelión por el Clima e pelo movimento Extinction Rebellion Spain e entre os manifestantes está também uma comitiva da associação portuguesa Climáximo.

Os ambientalistas prometem “resistir e organizar-se de maneira não-violenta para defender a vida” e “usar a rua como um espaço público de excelência para se exercer a liberdade de expressão” porque, consideram, “é um dever cívico contra a ameaça civilizacional”. Assinalam assim igualmente o seu “compromisso com a democracia e com a proteção de um bem comum essencial: o direito à vida das gerações actuais e futuras”.

Para além de sublinharem o papel de mobilizações deste tipo para “uma tomada de consciência mundial nunca antes vista sobre a gravidade da situação ambiental do planeta”, no comunicado de apelo à ação subscrito pela Climáximo exige-se que sejam tomadas “medidas imediatas antes de passarmos ao ponto de não retorno”. Entre o conjunto de linhas de ação reclamadas estão a declaração de emergência climática “de forma efectiva, com políticas que sigam o que é dito pela ciência e com recursos económicos suficientes para executá-las”; que “se diga a verdade às cidadãs e cidadãos em relação à situação crítica, climática e ecológica, em que se vive neste planeta e que se denuncie a relação directa entre o crescimento económico e a degradação actual dos ecossistemas e sistemas biofísicos dos quais dependemos”; uma “atuação imediata” que implique “reduções drásticas de emissões no menor tempo possível”; “que sejam colocados em marcha instrumentos cidadãos participativos para que haja supervisão e cumprimento das medidas” e que “a justiça climática seja o centro de toda a ação, para evitar que os que menos contribuíram para o problema e os sectores mais vulneráveis sejam os que mais sofram com os efeitos”.

Estes passos são indispensáveis para “abandonar o caminho suicida pelo qual enveredámos”. E apesar de se considerar necessária, para chegar a resultados, “a ação real dos governos” os ambientalistas não deixam de salientar que a “defesa dos bens comuns tem de ser a base de uma democracia real que se abre a novos modos de participação colectiva”. Porque “ou mudamos tudo no nosso clima e na sociedade ou o clima mudará tudo por nós”, conclui-se no comunicado a Climáximo.

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