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Ambientalistas acusam BNP Paribas de financiar desflorestação da Amazónia

Na sede do BNP Paribas em Lisboa, o Extinction Rebellion mostrou esta terça-feira o que aconteceria se o banco fosse honesto acerca de quem financia numa ação incluída na semana de mobilização pelo clima que culmina com a greve climática. Na sexta há 25 eventos marcados em Portugal e 6383 no mundo inteiro.
Foto da ação da Extinction Rebellion na sede do BNP Paribas. Setembro 2019.
Foto da ação da Extinction Rebellion na sede do BNP Paribas. Setembro 2019. Foto Extinction Rebellion Portugal.

E se o BNP Paribas fizesse uma campanha publicitária honesta mostrando como contribui com milhões de dólares para a desflorestação? Este foi o desafio que o Extinction Rebellion Portugal levou à sede deste banco que acusa de ser o principal financiador da destruição da Amazónia com mais de 3.000 milhões de dólares emprestados a empresas que destroem activamente a floresta.

Só que, diz o Extinction Rebellion, o banco dono da empresa de crédito Cetelem não é sincero e atua “sob um manto de desinformação e propaganda publicitária”. Não é assim conhecido que este é “o principal responsável pelo financiamento da ADM da Cargill e Louis Dreyfus Company (comerciantes de soja global), da JBS e da Minerva, três principais processadoras de carne bovina do Brasil com operações importantes na Amazónia”.

Os ecologistas acusam estas empresas de serem “responsáveis por cerca de 91% da destruição da Amazónia”. E, assim, com o seu financiamento, o BNP Paribas é “o actor principal desta catástrofe” lucrando com a destruição da Amazónia.

Para melhor ilustrar isto, os ativistas ambientais fizeram cartazes publicitários que afixaram na sede do banco e folhetos falsos que distribuíram. O objetivo é não deixar esquecer que “por detrás de cada activista assassinado, de ações e inações governamentais, de apropriação de terras indígenas na Amazónia, existe um motivo supremo: o lucro de empresarial, que não abdica de crescer por qualquer motivo, nem mesmo se estiver em causa a extinção de ecossistemas e populações humanas”.

Contra o greenwashing pinturas de guerra, pelo clima cinema artivista

Na passada segunda-feira aconteceu outra ação de protesto dirigida a uma empresa cuja ação os ambientalistas contestam. A Climáximo foi à sede da empresa de celulose Navigator denunciar que esta se promove como ambientalista em “repetidas campanhas enganosas” de greenwashing ao mesmo tempo que “degrada os territórios onde intervém” favorecendo a desertificação e os incêndios florestais. Por isso, os participantes do protesto apresentaram-se em tom “verde-cinza” acreditando que “por baixo da tinta verde da sua propaganda, está a cinza da devastação”.

A caminho da greve climática estudantil da próxima sexta-feira está ainda a acontecer o CineClima. “100% sobre clima e direitos humanos; 100% gratuito; 100% voluntário; 100% descentralizado; 100% político e apartidário; 100% respeitador dos direitos de autor”, este ciclo está a apresentar mais de 40 sessões de cinema e debate até ao final desta semana. A iniciativa é promovida pela 2 degrees of artivism, uma associação que junta o ativismo ambiental com a arte e conta com o apoio de mais de 30 organizações nacionais e internacionais, entre as quais a Amnistia Internacional, Climate Save Portugal, Climáximo, Extinction Rebellion, Greve Climática Estudantil, Rede 8 de Março, ZERO e Universidade Lusófona.

Para além disto, em vários locais, estão a fazer-se oficinas de preparação de cartazes para a greve. Em Serpa, no Porto e em Braga por exemplo. Na sexta-feira, existirão eventos no âmbito da greve climática estudantil em, pelo menos, 170 países. Em Portugal estão marcados 25 eventos. No mundo inteiro, para já, são 6383.

Termos relacionados Greve climática estudantil, Ambiente
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