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Alunos estrangeiros são os que mais abandonam o secundário

Apesar de o número de estudantes de nacionalidade estrangeira em Portugal ter voltado a subir, estes continuam a ser aqueles que mais abandonam precocemente a escola e os que têm uma menor taxa de transição no ensino secundário.
Alunos estrangeiros são os que mais abandonam o secundário
Fotografia de Paulete Matos.

Só 15% do total de estudantes de nacionalidade estrangeira matriculados em escolas de Portugal frequentaram o ensino secundário no ano letivo de 2018/2019. Os dados foram divulgados pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) e são relativos ao último ano com dados disponíveis.

Do universo de 129.534 alunos estrangeiros então registados, 52.551 estavam inscritos no ensino básico (41%), 19.412 no secundário (15%) e 57.571 no superior (44,4%). O peso menor destes estudantes no secundário é algo que se tem mantido ao longo dos anos, revela a edição de hoje do jornal Público.

Para Ana Cândido, do Observatório das Desigualdades do ISCTE-IUL, este cenário deve-se a três razões: os estudantes de nacionalidade estrangeira têm uma maior taxa de abandono escolar precoce, diferentes trajetos migratórios e uma possível aquisição da nacionalidade portuguesa.

“Sabe-se, por diversos estudos (a nível nacional e internacional), que a taxa de alunos nascidos no estrangeiro que abandonam precocemente a educação e formação é superior à da população nativa em quase todos os países europeus com dados disponíveis”, frisa a investigadora ao jornal Público. No caso específico de Portugal, em 2018 a taxa de abandono escolar precoce era de 11,7% entre os portugueses (entretanto baixou para 10,6%) e de 12,8% nos estudantes estrangeiros, segundo dados da rede Eurydice. Ainda em 2018, a taxa de transição no ensino secundário estava nos 84,9% entre os alunos portugueses e descia para 64,8% entre os estudantes de nacionalidade estrangeira.

As outras duas razões apontadas por Ana Cândido para o peso diminuto destes jovens no ensino secundário são as seguintes: “alguns alunos apresentam trajectos migratórios com uma maior diversidade de destinos e, ao acompanharem a família, realizam o seu percurso escolar em diferentes países. Em suma, podem ter realizado o ensino básico em Portugal e o ensino secundário noutro país”; também podem ter adquirido “a nacionalidade portuguesa em algum momento do seu trajeto escolar”, deixando assim de aparecer nestas estatísticas, explicou o jornal.

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