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Alterações climáticas são as maiores dos últimos 3 milhões de anos

As alterações climáticas por ação humana são provavelmente as maiores a que o planeta assistiu desde que há três milhões de anos começou a atual era geológica quaternária, afirma um estudo baseado numa simulação computacional inovadora.
She's got the whole world in her hands. Foto de  Jasn/Flick.
Foto de Jasn/Flick.

As alterações climáticas no planeta são provavelmente as mais drásticas nos últimos três milhões de anos, quando começou a actual era geológica, de acordo com um artigo na revista Science Advances, de acesso livre.

Uma equipa de um instituto de investigação sobre clima em Potsdam, liderada por Matteo Willeit, fez uma simulação computacional do clima planetário que constitui um importante avanço científico. O modelo computacional de Willeit, que se baseia em inovações anteriores que a mesma equipa já contribuíra para os estudos na área, simula a evolução do clima nos últimos três milhões de anos, a chamada era do Quaternário, em que ainda nos encontramos, baseando-se em dados astronómicos e geológicos estabelecidos, como os ciclos orbitais em torno do sol, a distribuição de sedimentos pela superfície, o efeitos das poeiras na atmosfera. Juntou a isto algoritmos que simulam o comportamento físico e químico do planeta.

Os resultados são um avanço relevante, pois batem certo pela primeira vez com os registos conhecidos dos sedimentos no fundo dos oceanos, cuja composição é uma janela para história do clima no passado, nomeadamente as temperaturas das águas e os volumes de gelo, que foram variando com as épocas glaciais. Permitem assim entender melhor a relação que houve no passado entre os níveis atmosféricos de dióxido de carbono e os os ciclos glaciais. Willeit explicou, em declarações no site Science Daily, que "conseguimos mostrar que as mudanças nos níveis de CO2 foram um fator fundamental para as épocas glaciais, a par das variações na órbita da Terra à volta do Sol, os chamados ciclos de Milankovich". Andrey Granopolsky, co-autor do estudo, acrescentou que "o facto de o modelo conseguir reproduzir as principais características da história do clima registada dá-nos confiança para o nosso entendimento global de como funciona o sistema climático".

Mas as conclusões são preocupantes, vindo acrescentar um novo detalhe a algo que já se sabia: a humanidade não só esta a provocar alterações climáticas, como estas são já as maiores dos últimos três milhões de anos. Segundo Willeit, "estamos a levar o nosso planeta muito para além de quaisquer condições climáticas experimentadas durante todo o atual período geológico em que ainda nos encontramos, o Quaternário", que começou "há três milhões de anos e viu a civilização humana começar há apenas 11 mil anos. Ou seja, a mudança climática a que assistimos hoje é realmente muito grande, mesmo pelos padrões da história da Terra".

As temperaturas médias no planeta nestes três milhões de anos nunca excederam os níveis pré-industriais por mais de dois graus Celsius. Hoje hoje em dia um aumento de um grau Celsius é já dado como inevitável, e se nada for feito a nível de política climática, o aumento poderá superar os dois graus já nos próximos 50 anos. Motivo para concluir como os autores do estudo: "Por fascinantes que sejam estes dados, são também preocupantes".

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