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Alterações climáticas podem influenciar gravidez e parto

Mulheres grávidas expostas a elevadas temperaturas ou a poluição atmosférica estão mais vulneráveis a partos prematuros, nados mortos e bebés com baixo peso à nascença. São as conclusões de uma revisão científica de dezenas de estudos a 32 milhões de partos nos EUA.
Manifestação contra as alterações climáticas em Sidney, na Austrália.
Manifestação contra as alterações climáticas em Sidney, na Austrália. Fotografia de Matthew da Silva/Happy Antipodean.

As conclusões são de uma investigação que reviu um total de 68 estudos realizados com mulheres grávidas desde 2007. A investigação, publicada no Journal of the American Medical Association, analisou mais de 32 milhões de partos nos Estados Unidos da América e encontrou uma forte ligação entre a poluição ambiental e o aumento de temperaturas e partos prematuros, baixo peso à nascença e abortos. Uma das outras conclusões foi a particular vulnerabilidade das grávidas negras e mulheres com asma. 

Na avaliação destes 32 milhões de partos foi possível observar que em 84% deles a poluição e o aumento de temperatura podiam ser considerados fatores de risco. 

“Quando falamos sobre o clima, as pessoas pensam em situações meteorológicas extremas, grandes tempestades, enormes incêndios… mas quisemos falar sobre os impactos mais comuns e regulares, mas que raramente são atribuídos às alterações climáticas”, afirmou ao Guardian Bruce Bekkar, co autor do estudo e ex-obstetra. 

Como exemplo foram referidas várias atividades de origem humana que causam aumentos na temperatura, subida do nível da humidade e que reduzem as possibilidades de arrefecimento humano mesmo no período noturno. Para além disso, referiram o impacto das alterações climáticas na poluição do ar e o nevoeiro criado pelos combustíveis fósseis em dias quentes. 

“Já temos gerações enfraquecidas à nascença. É algo que não podemos permitir e gostaria que não fossem só as mães, os pais e os seus filhos a exigir responsabilidades aos governos locais, mas também de ver muitos mais profissionais de saúde envolvidos a exigir leis que reduzam os impactos da crise climática”, disse. 

O American College of Obstetricians and Gynecologists já considerava que as alterações climáticas constituíam uma ameaça séria à saúde das mulheres em particular, para além da ameaça que é para a saúde de todos. As alterações climáticas estão associadas a doenças cardíacas, doença respiratória, problemas de saúde mental e exposição a doenças infecciosas para toda a população, mas as grávidas e os fetos estão particularmente vulneráveis. 

Segundo o Guardian, dezanove dos estudos avaliados traçavam uma ligação entre a poluição atmosférica e um parto prematuro (definido como qualquer parto que ocorra antes das 37 semanas de gestação). Outros vinte e cinco estudos encontraram ligações entre a poluição atmosférica e baixo peso à nascença, e quatro encontraram ligações entre esta e nados mortos. 

Esta investigação confirmou também a tendência de que as mães negras estão mais vulneráveis a partos precoces ou a gerar bebés com baixo peso à nascença. Também os determinantes sociais da saúde, como são a pobreza, elevados níveis de stress e fraco acesso a serviços de saúde - atingem de forma desproporcional as populações racializadas. 

Segundo as conclusões do estudo, “as exposições ambientais exacerbam ainda mais os fatores de risco pré-existentes e poderão ser incluídos entre estes determinantes sociais”.

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